Ciência versus Religião

02-08-2014 15:38

 

God-and-scientist

 

    Já aqui falei sobre ciência e religião (ver os Mal-entendidos sobre Ciência e Religião), mas ficou muito por dizer. Irei aqui continuar essa divagação. Assim, este artigo terá também um cunho bastante pessoal. Mais uma vez convido o leitor a comentar, principalmente se encontrar incoerências ou algo com que não possa concordar. (Neste texto, as religiões em foco serão principalmente o cristianismo, judaísmo e islamismo.)

 

    A curiosidade é uma característica intrínseca ao ser humano que se manifesta nas questões em que pensamos. As questões são em geral sempre as mesmas, o que difere são as respostas. Uma questão sem resposta representa algo que desconhecemos, que não controlamos e que por isso tememos. Torna-se então necessário inventar uma resposta para que nos possamos iludir que temos controlo sobre aquilo que receávamos. Este é o papel da religião; ou melhor, das religiões, porque é sempre possível inventar várias respostas diferentes. Em contraste, se apenas aceitarmos como verdade aquilo que podemos provar e verificar com base na lógica e na natureza, descobrimos a ciência (que é necessariamente única).

 

    Um teísta que tenha lido o que escrevi em cima pensará que sou um ateu que ainda não encontrou a “verdade”. Mas o que é a “verdade”? Quem é que o decide? Em quem acreditar?

 

    Os representantes das religiões apontam para livros “sagrados” e para a fé. De facto, trata-se apenas de fé: a fé de que os livros sejam mesmo “sagrados”. Para mim é difícil conceber o porquê de se acreditar cegamente e sem espírito crítico num livro. No caso dos cristãos, como explicar que a história de Cristo é uma réplica de outras anteriores? (Em termos históricos é fácil de explicar: os romanos precisaram de unificar os vários povos pagãos do seu império e para isso acataram alguns dos seus cultos pagãos: o Natal é apenas um exemplo.) Como explicar que se tenha decidido que Maria subiu aos céus seis séculos depois da sua morte, sem que haja qualquer evidência disso? Como explicar que Deus é misericordioso, quando no velho testamento nos é desenhado como o Deus interventivo que manda violar, assassinar e até fazer genocídios? Como explicar que no novo testamento envie ao mundo o seu filho personificado, para que este seja torturado e morto?

 

    Para quem olha de fora, este Deus parece mais um psicopata, do que um ser que nos ama. O subterfúgio normalmente usado é que Deus nos transcende e por isso não o podemos compreender. Curioso que tenhamos sido agraciados com um intelecto que nos faz pensar o pior do nosso criador. “Felizes daqueles que acreditam sem ver”? Porque havemos de rejeitar os nossos sentidos? Porque é que a fé tem que ser cega? Porque a natureza e a História nos contam algo diferente.

 

    Regra geral, um teísta acredita no poder da ciência sempre que esta não põe em causa a história que a sua religião conta. O contrário é impraticável, porque é indubitável que os carros andam, os aviões voam, e que as lâmpadas iluminam. O problema surge quando as histórias se defrontam.

 

    Os criacionistas defendem que o universo foi criado há alguns milhares de anos atrás, uma visão que vem de uma interpretação literal do livro do Génesis. No entanto, a ciência afirma que a Terra tem cerca de 4,6 mil milhões de anos. Este é um facto que é suportado por inúmeras e independentes evidências experimentais! Rejeitar estas evidências é equivalente a rejeitar tecnologia que usamos todos os dias. A datação radiométrica é apenas um exemplo. O Carbono 14 permite a datação de materiais que o contenham até uma idade de cerca de 60 mil anos: e sim, já foram estudados muitos materiais com essa idade (outras substâncias radioactivas permitem medir noutras escalas de tempo; o Urânio, por exemplo, consegue medir numa escala de tempo equivalente à idade da própria Terra). Notem que em muitos casos é possível confirmar a datação radiométrica através de outras evidências! Alegar que este método está errado seria afirmar que não conhecemos o decaimento radioactivo, e consequentemente um reactor de fissão nuclear funcionava porque sim…

    

    Muitas vezes, quando os criacionistas querem parecer minimamente credíveis, convocam um cientista para os suportar. De facto, não se pode dizer que 100% dos cientistas rejeitam o criacionismo, apenas a esmagadora maioria. Por outras palavras, é sempre possível encontrar alguém que apoie uma idiotice, independentemente da idiotice e do grau académico do idiota em causa. Faço aqui esta nota para que o leitor nunca deixe de ser céptico apenas porque lhe foi apresentado um diploma. Em cima disse que a ciência é una, porém os cientistas não o são.

 

    Enquanto algumas religiões mantiveram o criacionismo literal, outros salvaguardaram-no como sendo apenas uma alegoria. Admitindo que a ciência deveria estar certa na maioria do que afirma, colocaram Deus “apenas” como o criador do universo. Esta atitude, apesar de sensata, não deixa de ser algo cínica. Aquilo que era literal passa a ser uma parábola para impedir que a ciência coloque em causa os escritos sagrados. Quem decide o que é retórica e o que não é? Qual o critério? Se tudo pode ser reinterpretado, parece que nesse caso a religião apenas oferece uma resposta temporária, isto é, enquanto a ciência não se apodera da questão em causa. Este é o chamado Deus das lacunas, ou seja, uma assunção teológica que preenche a ignorância científica. Este é um Deus que perde dimensão à medida que a ciência se desenvolve. Sim, a ciência ainda não é capaz de responder a muitas questões, porém já responde a muitas que tinham sido inicialmente atribuídas ao domínio religioso.

 

    Uma outra questão onde a ciência se tem debatido com a religião é sobre o papel do Homem na natureza. Seremos nós especiais? É agradável pensar que sim. Para quem rejeita a teoria da evolução, é certamente difícil explicar como é que o nosso ADN é 99% coincidente com o dos chimpanzés. Pode até parecer estranho ao leitor que a nossa informação genética seja tão semelhante à desses animais, ainda que o intelecto pareça tão diferente. Mas será que é assim tão diferente? Nós estamos simplesmente habituados a valorizar aquilo que nos diferencia dos outros animais e não aquilo que nos aproxima. A “grande” diferença é que temos um cérebro maior, o que nos permite um pensamento abstracto superior ao dos chimpanzés; tudo o resto é bastante parecido. Não querendo entrar em detalhes, a teoria da evolução é esmagadoramente confirmada por inúmeras evidências. Para os defensores do Deus das lacunas (que é fácil de reconhecer, por exemplo, no catolicismo), a dificuldade está, por exemplo, em definir quando apareceu o “primeiro” Homem, já que os hominídeos anteriores à nossa espécie não são considerados “especiais” como nós.

 

    Um leigo poderá argumentar que de um lado temos a ciência que nos oferece tecnologias e do outro temos a religião que nos agracia com milagres, sendo que as tecnologias não diferem muitos dos milagres, pois ambos lhe são incompreensíveis. Em relação aos supostos milagres, convém referir que muitos dos locais onde estes alegadamente já ocorreram são anualmente visitados por milhões de pessoas que também procuram um milagre para elas próprias (normalmente a cura de uma doença). Existem efectivamente relatos de pessoas que dizem terem tido curas milagrosas, porém são em número tão diminuto que, em termos estatísticos, é difícil dar-lhes qualquer valor. Normalmente trata-se de “milagres” que podem ser entendidos como efeito placebo, ou que se justificam de outra forma racional. Em suma, não existem evidências para que se possa afirmar que já tenham ocorrido milagres na história da humanidade. Note-se que se um milagre for entendido como um evento inexplicável aos olhos da razão e da ciência, então sim, já ocorreram muitos milagres no passado: a ciência teve que evoluir para os entender. Como determinar que um “milagre” não é apenas uma manifestação da natureza que a ciência ainda não explicou?

 

    O outro aspecto referido não tem uma resposta fácil. Quando um leigo acredita numa resposta científica está a ter uma atitude de fé, porque não tem nem a formação académica para compreender devidamente a teoria científica, nem tem acesso a um laboratório para que possa comprovar o resultado. Assim, quando um cientista diz que X é X ao leigo, este não tem realmente forma de contestar e de pensar de forma crítica sobre X. A resposta inconveniente é que em última instância o leigo só tem duas opções: ou acredita, ou terá que cultivar o seu conhecimento sobre o assunto, tentando compreender todas as evidências que levaram o cientista a concluir que X é X. A grande diferença entre a fé confiada na ciência e na fé depositada na religião está nesta segunda opção, que no caso da religião não existe. À medida que um teísta se instrui nos ensinamentos da sua religião, obtém cada vez mais respostas. Na ciência sucede o contrário: à medida que o indivíduo enxerga por entre as evidências, novas questões se tornam aparentes. Saber mais é sinónimo de uma melhor consciencialização da nossa ignorância.

 

    A religião é muitas vezes defendida pela sua qualidade de definir a moral pela qual a sociedade se deve orientar. Se a existência de pecado for posta em causa, argumentam, o Homem deixará de pensar duas vezes antes de cometer uma qualquer atrocidade. Este é sem dúvida um grande disparate. Primeiro convenhamos que existem muitos países europeus onde a religião tem actualmente uma incidência muito baixa, no entanto, isso não implica que os índices de violência sejam maiores do que noutros países mais religiosos. Eu, como não crente, acho que é triste assumir que o ser humano só se consegue comportar em sociedade se tiver medo de um Deus, e de um tribunal divino que o irá ajuizar depois de morto. Eu acredito que somos capazes de ser altruístas sem termos interesses ulteriores focados no pós-morte. Independentemente daquilo em que acredito, é falso que a moralidade venha de Deus, pois a mesma pode ser encontrada nos animais dos quais evoluímos (obviamente, para diferentes espécies será possível encontrar diferentes “tipos” de “moral”, mas que têm sempre o objectivo de favorecer o bom funcionamento da “comunidade”). De facto, tendo em conta a Teoria dos Jogos, é fácil de perceber o porquê de as espécies terem criado códigos de conduta: estes são necessários para que possam coexistir em sociedade. A sociedade, por seu lado, é crucial para a sobrevivência das espécies, pois em muitos casos só uma organização conjunta permite uma protecção efectiva do grupo, bem como a captura de presas. Neste caso, pode-se afirmar que o todo (sociedade) é “mais” do que a soma das partes (indivíduos).

 

    Aliás, até nem é difícil reconhecer que actualmente a generalidade das sociedades menos religiosas se guiam por uma moral superior àquelas mais religiosas, pelo menos no que diz respeito à concessão de igualdade às minorias e às mulheres (o exemplo da homossexualidade é eventualmente o de maior relevo). De facto, a moral parece evoluir de acordo com a educação que o país consegue providenciar à maioria dos seus cidadãos, o que está em claro contraste com a alegação de que a moral provém de Deus (a não ser que Deus condene a moral defendida pelas religiões que o exaltam; uma ironia que não tenho dificuldade em aceitar caso assuma que Deus de facto existe e é “bom”). Curiosamente, o que se tem verificado no caso do catolicismo é o contrário: uma reforma sucessiva que procura copiar os bons costumes das sociedades não religiosas.

 

    Uma pessoa religiosa poderá admitir que até tenho alguma razão, mas de seguida poderá questionar-me: “Mas qual o mal de eu acreditar em Deus? Que te interessa o que os outros acreditam? Porque haveríamos todos de acreditar no mesmo?”

 

    Não tem mal nenhum, cada um acredita no que quer, porém convém ter cuidado com a “bagagem” que a religião trás consigo (algo que não se aplica aos deístas). Não só a religião tem os problemas morais indicados em cima, que influenciam negativamente a sociedade, como tem sido também um dos grandes motivos de guerra nos últimos milénios, sendo-o ainda no presente. Como disse o Steven Weinberg (prémio Nobel da Física em 1979): “With or without it [religion] you would have good people doing good things and evil people doing evil things. But for good people to do evil things, that takes religion.” (Tradução: “Com ou sem ela [religião], teríamos pessoas boas a fazer boas acções e pessoas más a cometer actos malévolos. Mas para ter pessoas boas a fazer coisas más, é necessária a religião.”) Mesmo em religiões que hoje em dia tentam evitar guerras, continua a ser possível encontrar seguidores que interpretam os textos “sagrados” de forma a justificar a violência que praticam contra outros indivíduos. Este não é um problema que deva ser desprezado atribuindo-o simplesmente a fanáticos. É necessário compreender que esses extremistas são um produto da religião.

 

    Tem-se ainda que referir o papel da religião nas crianças. Do meu ponto de vista existem três problemas principais a considerar. Primeiro é preciso ter cuidado na forma como a religião é apresentada às crianças, visto que estas ainda não têm espírito crítico para a compreender devidamente. De preferência seria óptimo apresentar todas as religiões, contando a história e a moral defendida por cada uma, dando à criança a possibilidade de decidir a sua forma de pensar assim que tivesse uma compreensão razoável do que lhe tinha sido apresentado. Os religiosos poderão argumentar, e bem, que os pais e o meio em que a criança está cingida acabam sempre por ter uma grande influência sobre esta, independentemente do que lhe é apresentado. De facto, não espero que a “tradição” se dissolva de um dia para o outro, contudo tal só irá acontecer se houver um esforço nesse sentido. Por outro lado, também é verdade que os pais que oferecem o poder de escolha ao filho estão, na verdade, com essa atitude a influenciá-lo de forma quase similar à forma como, por exemplo, outros pais religiosos influenciam os seus filhos ao lhes propor que os acompanhem à igreja. Naturalmente, este é um problema extremamente complexo, porque os pais que acreditam na sua religião, crêem que o melhor para os seus filhos é que estes acreditem no mesmo que eles. Em suma, gostaria que cada criança fosse induzida a pensar por si, ao invés de lhe ser imputada uma crença.

 

    O segundo aspecto que quero referir está relacionado com o acima exposto, e tem a ver com a distinção de ciência e religião na educação de uma criança. É absolutamente necessário que as crianças compreendam que a ciência estuda o mundo físico, isto é, o universo que percepcionamos. No nosso conhecimento científico não há espaço para a religião e nenhuma das concepções religiosas deve ser imiscuída nos livros e nas aulas de ciência. O criacionismo, por exemplo, não é uma “teoria” alternativa ao evolucionismo! Isso seria semelhante a assumir que a teoria geocêntrica deveria ainda ser considerada como uma teoria alternativa à heliocêntrica: não o é porque todas as evidências científicas apoiam apenas num só sentido! Quem achar que este não é um problema actual desengane-se, porque faz parte da actualidade do Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo, onde existem fortes movimentos a tentar que o criacionismo volte às salas de aula (de ciências). Isto não só é um atentado contra a verdade científica, como também coloca em causa a evolução da ciência e da tecnologia. Note-se que isto nem é apenas uma questão idealista, pois uma pessoa pragmática certamente que reconhecerá que o futuro económico de qualquer nação depende de forma crucial na capacidade desta para acompanhar o desenvolvimento tecnológico mundial.

 

    Finalmente, o terceiro aspecto refere-se ao castigo divino, normalmente representado por um inferno em chamas (como é óbvio, aludo apenas às religiões que o continuam a pregar). Este inferno é visto como uma necessidade nestas religiões para obrigar o Homem a não pecar (como discutido em cima). Enquanto um adulto consegue aceitar e lidar com esta ameaça, uma criança tem muito maior dificuldade. De facto, é reconhecido por psicólogos que não se deve expor uma criança a este prenúncio demoníaco, pois tal é considerado abusivo e pode resultar em traumas severos para a criança. Este é um problema real, ainda que só se verifique de forma significativa numa minoria. (Note-se que a “forma significativa” é algo subjectivo, pois o “normal” é somente aquilo que identificamos como mais comum…)

 

    Para concluir, deixo a questão trivial: “Podes provar que Deus não existe?” Não, não posso, e por isso sou agnóstico. De forma semelhante, também não posso provar que os fantasmas, as fadas, e os unicórnios não existem, isso, porém, não me leva a concluir que eles existem.

 

    Como é evidente, esta reflexão não esgota o tema. Espero não ter ofendido ninguém, porque não era esse o objectivo. Por outro lado, espero que o leitor compreenda que não era minha intenção fazer generalizações injustas, nem usar de forma desadequada as excepções. A realidade é bastante diversa consoante a região e a religião em consideração, portanto nem todas as “carapuças” se adequam a todas as cabeças, obviamente. Deixei também muitas questões importantes por discutir (como o não uso de métodos contraceptivos por motivos religiosos, por exemplo), para não tornar o texto demasiado extenso. Se o leitor assim o desejar, poderemos discuti-las nos comentários.

 

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O método científico: “Aqui estão os factos. Quais as conclusões que podemos retirar deles?”

O método criacionista: “Aqui está a conclusão. Quais os factos que podemos encontrar para a suportar?”

 

 

Marinho Lopes (colaborador do Ciência com Todos e doutorando em Física na U. de Aveiro) - texto primeiramente publicado no Blog do autor: Sophia of Nature.

 

Ver original em: http://sophiaofnature.wordpress.com/2014/06/24/ciencia-versus-religiao/

 

Tópico: Comentários

Ciência versus religião

Data: 02-08-2014 | De: Graciete Virgínia Rietsch Monteiro. Fernandes

Claro que eu não podia estar mais de acordo com este texto. Muito simples, muito explícito como é costume do Professor Marinho Lopes. Compreendo também a dificuldade em levar as pessoas a aceitar este tipo de raciocínio pois são muitos séculos a fomentar essas ideias e a usá-las na própria instrução .Precisamos de muitas gerações para que o conceito de religião se vá esbatendo. Mas , para mim , há uma coisa ajnda mais grave que é utilizar as rivalidades religiosas e a ignorância no sentido de criar guerras apenas em nome do dinheiro e da ganância e dos interesses económicos deste ou daquele país. Importante, mesmo muito importante, é desenvolver a instrução de uma forma racional e torná-la acessível a todos, sem exceção.
Obrigada Professor Marinho Lopes. Gostei mesmo de ler este texto que é mais uma justificação para a minha maneira de encarar as religiões.

Re:Ciência versus religião

Data: 03-08-2014 | De: Marinho Lopes

Obrigado, ainda bem que gostou do texto. :)

A dificuldade em "esbater" a religião está no facto de que as pessoas querem acreditar em algo sobrenatural (não importa bem o quê). É incrível que quando se inventam histórias mirabolantes, mesmo as pessoas que reconhecem que a história é pouco verosímil têm tendência a acreditar na história. Parece que o nosso primeiro instinto é sempre acreditar e não questionar. Parece que damos prioridade àquilo que gostávamos que fosse, em relação àquilo que achamos que realmente é. Talvez seja uma particularidade da nossa mente que foi escolhida pela selecção natural, porque ajuda-nos a lidar com a cruel realidade - a religião pode ser apenas a maior manifestação dessa "propriedade intrínseca". Mas isto sou eu a divagar... :)

Abraço,
Marinho

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