Quantos átomos morrem no teu corpo?

03-07-2013 15:15

 

    Desde que começaste a ler este artigo, já morreram mais de 40 000 átomos no teu corpo!!!

    

    Mas vamos devagar... Como sabes, o corpo humano é feito de átomos, e estes por sua vez têm um núcleo muito pequeno no centro – de facto, ele é tão pequeno que se o átomo fosse a Terra inteira, o núcleo seria do tamanho de um campo de futebol – e eletrões à volta dele que ocupam o espaço quase todo. Acontece que alguns átomos têm núcleos suicidas (ou radioativos, como preferires). Estão absolutamente normais e, de um momento para o outro, o núcleo atira uma partícula para os vizinhos e morre, transformando-se noutro.

 

   O físico Neozelandês Ernest Rutherford descobriu, no início do século XX, que a quantidade de átomos de um determinado tipo que morre em cada segundo é sempre proporcional ao número de átomos que existem – o leitor mais atento notará que esta quantidade deve então seguir uma lei exponencial – e a constante de proporcionalidade é o inverso do tempo que os átomos vivem em média.

 

    O corpo humano é feito de vários tipos de átomos (especialmente Hidrogénio, Oxigénio e Carbono) e alguns deles são mais instáveis que outros. O Carbono-14 (C14) e o Potássio-40 (K40) são dois tipos de átomos particularmente malucos e aqueles que morrem mais frequentemente no teu corpo (ver tabela). Em cada segundo, há cerca de 3 mil átomos de C14 e 5 mil de K40 a morrer. Ou seja, desde que nasceste, já morreram dentro de ti vários biliões! Parece muito, mas corresponde a milhões de vezes menos do que o número total de átomos que existe num só cabelo.

 

    Mas se achas que então saber isto não serve para nada, estás muito enganado! Conhecendo este processo, e olhando para ossos de antigos animais, se soubermos a quantidade de átomos radioativos que eles ainda têm, é possível descobrir... a sua idade! E é também desta forma que se descobriu que a Terra existe há cerca de 4 mil milhões de anos.

 

    É verdade... saber o ritmo a que os átomos do corpo humano morrem permitiu determinar a idade da Terra, saber há quanto tempo viveram os dinossauros, quando se extinguiram, perceber a evolução das espécies e descobrir que os nossos antepassados viveram na água... Nada mau, não é?

 

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João Ferreira, aluno do 1º ano da Licenciatura em Física, FCUL.

Horizon Magazine - Nova revista do Departamento de Fisica da Faculdade de Ciencias da Universidade de Lisboa, Edição 0.

 

Ver original e respetiva revista em: https://www.facebook.com/HorizonFCUL/posts/474502199301979

e

http://horizon.fc.ul.pt/?q=content/edicao_0

 

Tópico: Comentários

Resposta a Virgínia Fernandes

Data: 05-07-2013 | De: Horizon

Olá Virgínia, bom dia.

Refere-se a outra coisa: à morte das células.

De facto, todos os dias imensas células do nosso corpo morrem (no sentido biológico).

O artigo, por outro lado, fala do decaimento radioactivo, ou seja, da morte do átomo (não no sentido biológico). Os átomos perfeitamente estáveis não o fazem, apenas os radioactivos.

Ainda bem que gostou.

Saudações

Quantos átomos morrem no teu corpo?

Data: 04-07-2013 | De: Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes

Interessante este artigo. Mas nem só os átomos radioativos morrem ou se transformam. Os outros também vão morrendo e regenerando em parte. Tenho razão?
Afinal todos os dias morremos um bocadinho.
Parabéns ao autor do artigo.

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