Co-Evolução

10-06-2012 14:38

    

 

    Dentro de um mesmo género, em flores que pertencem a espécies muito próximas, as diferenças de cor podem ser radicais, e é evidente que isso não acontece por acaso. Um caso bem estudado é o do género Solanum, em que a disseminação das sementes é feita tanto por morcegos como por aves. As flores em que as sementes são disseminadas pelos morcegos  têm flores esverdeadas ou brancas, enquanto que as que são  disseminadas pelas aves se desdobram em tons de vermelho vivo. As que os morcegos disseminam não desperdiçam nenhuma energia metabólica produzindo o que seria, para elas, um pigmento vermelho inútil: os morcegos são cegos, e portanto não é, obviamente, a cor das flores que os atrai. A evolução funcionou toda no sentido da eliminação de esforços inúteis.

 

    Há um pormenor curioso na co-evolução dos insectos e das plantas que se reproduzem através das flores na última centena de milhões de anos. Já toda a gente ouviu falar do desenvolvimento de cores berrantes e chamativas, dos aromas, e dos feitios dramáticos com que as flores atraem os insectos e as aves até aos seus órgãos sexuais (algumas flores chegam a imitar a forma da fêmea do insecto que assegura a sua disseminação). Agora, há certos tipos de frutos, de tons laranja e vermelho, que parecem só ter aparecido algures nos últimos trinta milhões de anos, em simultâneo com a evolução da visão tricromática de macacos e primatas. Estes frutos, uma peça emblemática da dieta dos macacos, tornaram-se particularmente visíveis para os olhos tricromáticos no meio da folhagem emaranhada da selva; e as plantas, pelo seu lado, dependiam dos macacos para espalharem as sementes através das suas fezes. Ambos evoluíram em sintonia.

 

    Não podemos é deixar de notar que algumas aves já tinham desenvolvido a visão tricromática muito antes dos macacos. Por que é que não se lançaram no processo de co-evolução com os frutos de tom laranja e vermelho? Já vimos que eles ainda nem sequer existiam antes da entrada em cena dos macacos e primatas que os procuram. Mas, mesmo que existissem, podiam não ser chamativos para as aves. Como já vimos, as plantas que se reproduzem através das flores desenvolveram dezenas de expedientes para assegurar a sua disseminação. A cor dos frutos podia perfeitamente ser para as aves um expediente desnecessário, senão mesmo inútil. É que, neste caso, o que está em causa é disseminar sementes através das fezes. E as fezes das aves têm muito menos probabilidades de encontrar um bom nicho no solo do que as dos primatas.  

 

Texto de Clara Pinto Correia.

Tópico: Comentários

Morcegos

Data: 21-08-2012 | De: Adelson Bastos

Olá Clara. Em seu texto você afirma que os morcegos são cegos. Pesquisei e não encontrei essa informação em nenhum outro lugar. Acho que a informação está um pouco distorcida afinal os morcegos enxergam, mas não muito bem!

Re:Morcegos

Data: 20-02-2013 | De: Paula

lalala

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