Teoria da Panspermia

23-06-2013 15:45

 

Vejam este pequeno vídeo simplificador da ideia desta teoria:

 

    Uma das questões fundamentais com que qualquer pessoa se depara é a da razão de estar vivo, de existir. Na Ciência, sendo um conhecimento de todos, procura-se entender a razão de todos nós existirmos. Darwin deu um ajuda: evoluímos de outros seres. Mas se sabemos que a Terra nem sempre existiu, isto implica que a vida neste planeta tenha tido um começo. Pegando novamente na Teoria do Evolucionismo consegue-se perceber que se os organismos são sempre mais complexos, então o começo deverá ter acontecido da transição do “não ter vida” para o “organismo mais simples, primordial e fundamental”. Depois de identificadas as “peças” essenciais da vida, deveria bastar reconhecer as moléculas que as constituem e determinar as condições necessárias para transformar essas moléculas, nessas “peças”. Apesar de haver várias teorias que tentam explicar essa transformação, a verdade é que nenhuma foi confirmada em laboratório. Sendo assim impõe-se a questão: será que esta incompreensão não se deva a alguma razão que nos transcenda? Essa razão pode ser simplesmente uma condição com a qual nunca nos deparámos, por não ocorrer neste planeta. Mas num outro planeta nada nos garante que tal não exista. E é com esta hipótese que podemos chegar à Teoria da Panspermia: a vida terrestre pode ter origem extraterrestre.

 

    A ideia não é nova: Anaxagoras, 500 A.C., já a tinha proposto. Mas só voltou a ser considerada e estudada novamente a partir do século XVIII, com Benoît de Maillet (1743), Jöns Jacob Berzelius (1834), Kelvin (1871), Hermann von Helmholtz (1879), Svante Arrhenius (1903) e muitos outros, posteriormente.

 

William Thomson, mais conhecido por Lord Kelvin (1824-1907). Físico e engenheiro, deu importantes contributos em várias áreas da Física, em particular na Termodinâmica (tendo sido o primeiro a estimar o zero absoluto - a menor temperatura possível -273.15 ºC).

 

    Esta teoria não assume apenas a possibilidade de que a Terra tenha sido “contaminada” com vida. O mesmo é igualmente plausível para qualquer outro planeta, a diferença é que nem todos os planetas têm condições para receber a vida (que supostamente é transportada em asteróides, claro). Do mesmo modo, também a própria Terra poderá estar em condições de enviar vida para outros planetas.

 

    Como? É uma boa questão. Pode-se imaginar alguns cenários, como por exemplo um asteróide que entre e saia da atmosfera terrestre sem embater no planeta, conseguindo levar alguns organismos que possam sobreviver à viagem de milhões de anos que deverá ocorrer até que chegue a outro planeta. É uma hipótese extremamente remota, mas se num bilião de asteróides, um o consiga, então não deveremos desprezar este cenário (a probabilidade indicada não é real, tal nunca foi calculado, pois não se têm dados suficientes para se fazer uma análise estatística do problema, como é evidente).

 

    Mais importante que isso, a teoria divide-se em duas hipóteses distintas: ou supõe que a vida transportada teve início num dado planeta, ou então supõe que estas “sementes da vida” sempre existiram no universo. É claro que esta última possibilidade tem perdido adeptos, pois é uma hipótese impossível se assumirmos que a Teoria do Big Bang é verdadeira, ou seja, se o universo não é eterno, então tal implica que qualquer coisa dentro dele também tenha tido um princípio, como tal a vida não podia “cá andar desde sempre” (nem faz sentido que tenha sido criada aquando do Big Bang, claro).

 

    “Mas afinal: há provas que confirmem a teoria?” Provas irrefutáveis e incontornáveis não há e arrisco-me a profetizar que assim continue. Existem factos geobiológicos que sugerem que a vida não teve tempo de se desenvolver no planeta, que teve que vir de fora, para poder aparecer quando apareceu. Existem microorganismos que conseguem sobreviver milhões de anos num estado inactivo (como que uma hibernação), conseguindo voltar ao estado metabolicamente activo quando encontram as condições necessárias para isso. Existem fortes evidências de que no sistema solar, noutros planetas e luas, tenha havido condições favoráveis à vida (ou até mesmo que ainda haja). A probabilidade de haver vida noutros locais do universo é actualmente considerada quase pela unanimidade dos cientistas de ser suficientemente elevada para podermos dizer: “Não estamos sozinhos.”. E, por fim, talvez possamos assumir que dado o número de possibilidades sob investigação de “sementes da vida” (meteoritos com supostos microorganismos extraterrestres), é plausível assumir que a Teoria da Panspermia é viável, no entanto, não devemos esquecer que a maioria destes estudos têm dado resultados inconclusivos, bem como outros nos mostram que, por exemplo, dificilmente uma bactéria num meteorito sobreviveria ao impacto do meteorito com a Terra (supondo que o meteorito não é pulverizado só com a entrada na atmosfera). Por outro lado, mesmo que seja possível a disseminação da vida no universo habitável pelos meios que a Teoria da Panspermia refere, tal não implica que isso tenha acontecido na Terra!

 

Chuva vermelha de Kerala. Embora a sua origem seja ainda fonte de debate, uma das teorias avançadas é que esta poderia conter microorganismos de origem extraterrestre.

 

    A título de curiosidade refiro ainda que, em 1973, Francis Crick e Leslie Orgel sugeriram uma variante a esta teoria, chamaram-lhe: Panspermia Directa. Directa, porque seria induzida, não seria um acaso! Ou seja, esta teoria formula a hipótese de uma civilização extraterrestre avançada ter tido o intento de espalhar a vida pelo universo, enviando para todo o lado as “sementes da vida”.

 

 

Marinho Lopes (colaborador do Ciência com Todos e doutorando em Física) - texto primeiramente publicado no Blog do autor: Sophia of Nature.

 

Ver original em: http://sophiaofnature.wordpress.com/2011/05/18/teoria-da-panspermia/

 

Tópico: Comentários

PANSPERMIA

Data: 11-04-2017 | De: BEATRIS BATISTA

NAO GOSTEI DESSE ASSUNTO QUE SER CHAMA TEORIA DA PANSPERMIA MUITO CHATO ASS:MARIA VITORIA E BEATRIS BATISTA
ANTONIO GABRIEL DOUGLAS NUME

Re:PANSPERMIA

Data: 11-04-2017 | De: maria regina

po meu assunto mó merda

Re:Re:PANSPERMIA

Data: 11-04-2017 | De: DOUGLAS

PEGA ADOIDA

Re:PANSPERMIA

Data: 11-04-2017 | De: BEATRIS BATISTA

PRECISO DE AJUDAR OBS: MARIA VITORIA PRECISO DE AJUDAR

Re:Re:PANSPERMIA

Data: 11-04-2017 | De: douglas nunes

preciso de ajuda merda caralho

Re:PANSPERMIA

Data: 11-04-2017 | De: PROFF:PAULA

ESSES ALUNOS SAO UMA RESENHA

probabilidades

Data: 24-06-2013 | De: antonio cristovao

basta-nos comparar o nosso tempo -anos com o do universo- milhoes de milhoes de anos para ser possivel aceitar todas as teorias (ate a da n.sªfatima)

Re:probabilidades

Data: 24-06-2013 | De: Marinho Lopes

Não concordo com o "aceitar", nem com as "todas", nem com as "teorias". Em Ciência não se "aceita", tenta-se provar. Por outro lado, é impossível fazer uma generalização de "tudo" quanto se possa pensar, pois é sempre necessário individualizar. Finalmente, "teoria", do ponto de vista científico, não é apenas uma "ideia", pressupõe muito mais que isso.
(Peço desculpa pelos preciosismos, pois provavelmente não tencionava dar este significado ao que disse, mas fica apenas a "nota", para o caso de outros pensarem de forma diferente.)

Panspermia

Data: 24-06-2013 | De: Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes

Mais um ótimo artigo. Não me custa nada a aceitar que a vida tenha sido trazida do exterior do nosso Planeta e que dele possa ser transferida para outros lugares do Universo por astreróides que não toquem a Terra,para não serem destruídos. Também aceito que não estamos sós neste cosmos em contínua expansão. O que me parece é que deve ser muito difícil encontrar condições que permitam a evolução tal como a que se verifica no nosso planeta. Portanto nos homenzinhos verdes, castanhos ou azuis, não acredito, mas vida extra terrestre, mesmo incipiente, acho muito possível.

Um abraço.

Re:Panspermia

Data: 24-06-2013 | De: Marinho Lopes

Obrigado.

Sim, é muito difícil encontrar um sistema com tantas condições ideais como a Terra, ainda que não seja impossível, claro. Se considerarmos apenas a nossa galáxia, então a probabilidade ainda é muito mais baixa... À luz da Física que conhecemos hoje, é pouco relevante a vida que se passe noutras galáxias, pois elas estão tão longe de nós, que qualquer contacto é extremamente improvável (para não dizer impossível).

Um abraço.

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