Data: 2011-11-27
Ah, desculpe, não li esta parte :) Nas sociedades ocidentais, de facto, lutamos contra muitos maus hábitos que promovem doenças variadas: obesidade é uma deles, a diabetes 2 é outra, as doenças cardiovasculares, idem, e o cancro tb. O cancro tb tem uma origem genética, isto é, as pessoas que o desenvolvem podem ter uma predisposição genética para o ter. Há cancros em que é mesmo uma questão do chamado gene egoista: pode-se ser portador de um gene envolvido no desenvolvimento de cancro. Hoje em dia nascem mais pessoas (somos 7 mil milhões de pessoas), pelo que é lógico pensar que tb existem mais pessoas com essa predisposição genética. Há determinadas coisas, e comportamentos que se sabe, de facto, acrescerem o risco de cancro, mas sempre o fizeram no passado tb. Tabagismo, alcoolismo, má alimentação (apesar de hoje em dia, no geral, se comer melhor - ou melhor, o que eu queria dizer é que há mais conhecimento de como comer melhor; isto não significa q os maus hábitos não prevaleçam), excesso de exposição a raios UV, excesso de exposição a raios-X e radioactividade (note que não há qq indicação cientifica de que os telemóveis, wi-fis, cabos de alta tensão, etc, provoquem cancro.) exposição prolongada a substâncias cancerígenas, contrair vírus q promova cancro (como o cancro do colo do útero)... as causas podem ser muitas e a predisposição genética tem muito a dizer. Havendo mais pessoas, haverá tb maior numero de individuos predispostos. Não é uma questão de o cancro aumentar, propriamente. Nunca ouvi a expressão de que o cancro será a principal causa de morte no futuro, para ser sincera. Imagino mais q sejam as doenças cardiovasculares e diabetes 2, q são mesmo pragas (estas relacionadas com comportamentos com maus hábitos). Num mundo em que o conhecimento na área oncológica aumenta exponencialmente, não concordo que no futuro o cancro seja a principal causa de morte. ;) Mas, note, não sou especialista na área de oncologia.
Na realidade não existem propriamente mais cancros: nós é que sabemos agora discerni-los e identificá-los. Há 60 anos atrás não se possuia este tipo de conhecimento e mtos cancros passavam despercebidos, mascarados, confundidos com outros ou outra doença. Hoje em dia, contudo, conhece-se muito melhor o cancro, as formas como se pode manifestar, etc. Por outro lado, hoje em dia a medicina chega a toda a gente, bem como a comunicação e informação: ficamos a saber mais rapidamente quem tem cancro, qual, e a luta dessa pessoa. Antigamente as pessoas nem sequer sabiam q tinham cancro, nem diziam a ninguém, nem sequer eram tratadas como hoje. Na realidade, hoje em dia o cancro ataca-nos menos, porque a prevenção aumentou, os meios de tratamento tb, a esperança de vida das pessoas afectadas aumentou imenso, a remissão é conseguida em mtos dos tipos de cancro, a qualidade de vida aumentou ...
A alimentação de hoje em dia é melhor que há 60 anos. As radiações sempre nos bombardearam, desde que aparecemos enquanto espécie, há 200 mil anos atrás. Mas o que é certo é que a diminuição da camada de ozono e os maus hábitos de excesso de exposição solar das pessoas, bem como um maior acesso há praia (há 60 anos, por ex, não iam todos para a praia como hoje em dia, nem expunham toda a pele) aumentou a incidência de cancros de pele. Que, contudo, está novamente a diminuir, pq as pessoas estão informadas e protegem-se.
A poluição, por seu turno, pode provocar todo o tipo de disturbios, não só cancro. Na realidade, o cancro é uma doença com origens multi-factoriais, que dependem da conjugação de diversos factores, entre eles a tendência genética para o ter. Tb há cancros que são provocados por vírus, como é o caso do HPV, que provoca o cancro do colo do útero e alguns cancros na boca.
Os tempos mudam, os factores mudam, as origens mudam, é certo. Mas o tipo de cancros que hoje se conhece está relacionado com o facto de se estudar e conhecer melhor a doença nas suas várias vertentes. ;)
Re:Biomedicina/Oncobiologia
Data: 06-04-2012 | De: Ana Guerreiro Pereira