Data: 2012-01-31
As nossas características resultam da informação que se encontra no nosso ADN que é uma espécie de livro de receitas para fazer um ser vivo. O ADN encontra-se localizado no núcleo das nossas células e é parte integrante dos cromossomas.
Como somos seres vivos diploides, recebemos, para cada característica (excepto algumas das sexuais), duas informações, uma proveniente do pai e outra proveniente da mãe. Um ser humano possui assim, em cada célula, 23 pares de cromossomas: 22 pares de autossomas mais um par de cromossomas sexuais que definem o nosso sexo. Cada par de autossomas tem informação para as mesmas características, embora a informação que possuem para cada característica possa ser igual (a pessoa diz-se homozigótica para essa característica) ou diferente (nesse caso a pessoa é heterozigótica para essa característica). Durante a formação de gâmetas ocorre um processo de divisão celular designado meiose durante o qual os 23 pares de cromossomas são separados, ficando cada gâmeta com apenas um cromossoma por par. Assim, cada pessoa recebe da sua mãe (via óvulo) 22 autossomas e um cromossoma X. Do pai recebe (via espermatozoide) 22 autossomas e um cromossoma sexual que poderá ser o X (nesse caso nascerá uma menina) ou o Y (nascerá um menino).
Por exemplo, para uma característica como, a presença/ausência de cova no queixo, cada pessoa possui no seu ADN duas informações (uma proveniente do pai e outra da mãe). Relativamente a esta característica a pessoa poderá ser:
1) homozigótica para a informação presença de cova – significa que recebeu dos seus pais duas informações para ter cova - neste caso a pessoa terá uma cova no queixo. Quando se reproduzir esta pessoa apenas formará gâmetas com informação para a presença de cova.
2) homozigótica para a informação ausência de cova – significa que recebeu dos seus pais duas informações para não ter cova - neste caso a pessoa não terá cova no queixo. Quando se reproduzir esta pessoa apenas formará gâmetas com informação para a ausência de cova.
3) heterozigótica - significa que recebeu dos seus pais duas informações diferentes, uma para presença de cova e outra ausência de cova - neste caso a pessoa terá na mesma cova no queixo porque a informação ter cova (característica dominante) domina sobre a não ter cova (característica recessiva). Quando se reproduzir esta pessoa formará dois tipos de gâmetas: uns com informação para a ausência de cova e outros com informação para a presença de cova.
A dominância e recessividade de algumas características explica porque é que por vezes os filhos têm características que não vemos nos pais, e que só aparecem nos avós ou mesmo em antepassados mais longínquos. Por exemplo, uma pessoa heterozigótica para a característica presença/ausência de cova no queixo poderá formar gâmetas com a informação presença e gâmetas com a informação ausência. Se essa pessoa se reproduzir com alguém igualmente heterozigótico para essa característica, os gâmetas com a informação para a ausência de cova de ambos os progenitores poderão fertilizar-se dando origem a um filho homozigótico para ausência de cova. Assim, embora ambos os progenitores possuam cova no queixo, o filho não a terá.
Re:Genética/Semelhança entre pais e filhos
Data: 14-03-2012 | De: Alexandra Sá Pinto