Uma pergunta interessante! Mas a questão tem também que ver com química e biologia.
Comecemos pelo exemplo mais simples: uma cadeira de ferro e não vamos ligar a que possa também ter na sua composição outros metais ou carbono. O ponto de fusão do ferro é muito alto e obviamente o ponto de ebulição será ainda mais alto. Não se espera que a cadeira entre em fusão ou ebulição à temperatura ambiente, mas poderia, se o diagrama de fases o permitisse, haver evaporação de átomos do ferro na superfície da cadeira? Talvez, em teoria, mas a quantidade seria com certeza tão baixa em relação à quantidade de matéria que restaria na cadeira que poderíamos esperar milénios até que se notasse alguma alteração. Acresce que a superfície do ferro estará sempre coberta de azoto, oxigénio e vapor de água adsorvidos (nome que se dá a essa ligação dos gases a uma superfície). E já se está a ver que será muito mais provável que o ferro reaja com o oxigénio na presença de vapor de água, originando a "ferrugem" que se vai "descolando" e fazendo a cadeira lentamente "desaparecer" ao longo de muitos anos. Em suma, mesmo que a vaporização seja teoricamente possível, as reacções de oxidação são muito mais rápidas a fazer desaparecer a cadeira!
Vejamos agora um exemplo mais complicado, mas idêntico: uma cadeira de plástico. Os plásticos são moléculas muito grandes constituídas por unidades repetidas (polímeros) que se vão degradando por acção da luz e do oxigénio do ar. No decurso de alguns anos perdem plasticidade e ficam quebradiços, perdem bocados microscópicos e macroscópicos, são atacados por microorganismos e fungos, etc. Mais uma vez, mesmo que seja teoricamente possível a vaporização dos polímeros da cadeira, a degradação física, química e biológica é muitíssimo mais rápida.
Vejamos agora um exemplo mesmo complexo: uma cadeira de madeira. Trata-se uma mistura heterogénea de celulose, lenhina e vários outros polímeros naturais, que contém ainda uma enorme quantidade de outras moléculas, e, claro, água. Todos estes materiais têm velocidades de vaporização diferentes (obviamente insignificantes para os polímeros naturais) e a água está em equilíbrio com a humidade da atmosfera. Bem, toda a gente sabe que a madeira "envelhece" e se degrada, perdendo ao longo dos anos as suas moléculas voláteis (que dão o cheiro de madeira nova), escurece porque sofre oxidação, perde plasticidade, fica quebradiça, é atacada por microorganismos, fungos, bichos da madeira, etc. Embora neste caso até exista vaporização quantificável de algumas das moléculas, o principal problema é a degradação natural...
Enfim, as cadeiras e mesas não são eternas, mesmo que as tratemos com o máximo cuidado, não porque se vão evaporando, mas porque se degradam naturalmente devido processos físicos, químicos e biológicos. Mas como na natureza nada se perde e tudo se transforma, as cadeiras que desapareceram vão dar origem a qualquer outra coisa no futuro. Quem sabe outra cadeira...
Re:Física/Química
Data: 10-05-2012 | De: Sérgio Rodrigues