Re:Genética/covinha no queixo

Data: 11-11-2012 | De: João Calafate

Cara Daiane Nunes,

começo por lhe agradecer a sua interessante questão.

Enquanto aguardamos resposta da comissão científica, deixo-lhe uma interessante resposta anteriormente dada a uma questão semelhante, dada por uma Bióloga colaboradora do CcT, e que vai de encontro à sua questão:

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Genética/Semelhança entre pais e filhos
Data: 27-01-2012 | De: Rafaela Simão

Porque é que um bebé nasce parecido com os seus pais?

Data: 31-01-2012 | De: Alexandra Sá Pinto

As nossas características resultam da informação que se encontra no nosso ADN que é uma espécie de livro de receitas para fazer um ser vivo. O ADN encontra-se localizado no núcleo das nossas células e é parte integrante dos cromossomas.

Como somos seres vivos diploides, recebemos, para cada característica (excepto algumas das sexuais), duas informações, uma proveniente do pai e outra proveniente da mãe. Um ser humano possui assim, em cada célula, 23 pares de cromossomas: 22 pares de autossomas mais um par de cromossomas sexuais que definem o nosso sexo. Cada par de autossomas tem informação para as mesmas características, embora a informação que possuem para cada característica possa ser igual (a pessoa diz-se homozigótica para essa característica) ou diferente (nesse caso a pessoa é heterozigótica para essa característica). Durante a formação de gâmetas ocorre um processo de divisão celular designado meiose durante o qual os 23 pares de cromossomas são separados, ficando cada gâmeta com apenas um cromossoma por par. Assim, cada pessoa recebe da sua mãe (via óvulo) 22 autossomas e um cromossoma X. Do pai recebe (via espermatozoide) 22 autossomas e um cromossoma sexual que poderá ser o X (nesse caso nascerá uma menina) ou o Y (nascerá um menino).

Nas ervilheiras por exemplo, as flores podem ter cor branca ou púrpura. Para essa característica cada ervilheira possui no seu ADN duas informações (provenientes dos gâmetas masculino e feminino que a formaram). Relativamente a esta característica a planta poderá ser:

1) homozigótica para a informação flor branca – significa que os gâmetas que a formaram possuíam ambos a informações para flor branca- neste caso as flores dessa planta serão brancas. Quando se reproduzir, essa planta apenas formará gâmetas com informação para flores brancas.

2) homozigótica para a informação flor púrpura – significa que os gâmetas que a formaram possuíam ambos a informações para flor púrpura - neste caso as flores dessa planta serão púrpura. Quando se reproduzir, essa planta apenas formará gâmetas com informação para flores púrpura.

3) heterozigótica - significa que recebeu dos gâmetas que a formaram duas informações diferentes, uma para flores brancas e uma para flores púrpura - neste caso a planta terá na mesma flores púrpura porque a informação cor púrpura (característica dominante) domina sobre a informação cor branca (característica recessiva). Quando se reproduzir essa planta formará dois tipos de gâmetas: uns com informação para flores púrpura e outros com informação para flores brancas.

A dominância e recessividade de algumas características explica porque é que por vezes os filhos têm características que não vemos nos pais, e que só aparecem nos avós ou mesmo em antepassados mais longínquos. Por exemplo, uma ervilheira heterozigótica para a cor da flor (que terá flores púrpura) poderá formar gâmetas com a informação flor branca e gâmetas com a informação flor púrpura. Se essa planta se reproduzir com outra igualmente heterozigótica para essa característica (e por isso com flores púrpura), os gâmetas com a informação para a cor branca de ambos os progenitores poderão fertilizar-se dando origem a uma planta filha homozigótica para a cor branca. Assim, embora ambos os progenitores possuam flores com cor púrpura, a planta filha terá flores brancas.
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Ao dispor, cumprimentos,
o editor.

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