Tal como já expliquei em resposta a uma questão anterior, uma grande parte das características humanas observáveis possuem padrões hereditários mais complexos do que o mecanismo explicado por Mendel. Isto porque a sua expressão depende de mais do que um gene ou é de alguma forma influenciada pelas características do meio. É por esse motivo que estas características não são usadas para testes de parentalidade, os quais estudam diretamente o ADN dos indivíduos, cuja relação familiar se pretende testar.
Em relação à cova no queixo, embora esta característica seja muitas vezes apresentada como exemplo de um caráter mendeliano do tipo recessivo (ausência de cova) e dominante (presença de cova), existem fortes indícios que a transmissão desta característica seja bastante mais complexa. Em primeiro lugar a característica não apresenta variação descontínua, ou seja, não podemos dizer apenas que esteja presente ou ausente. Se existem queixos com covas bem vincadas e óbvias e queixos onde não é possível vislumbrar qualquer cova, existem também queixos para os quais é muito difícil decidir se têm ou não uma cova. Uma característica com variação contínua como a cova no queixo implica a existência de mais do que um gene a controlar a sua expressão e/ou que esta seja influenciada pelas características do meio. A titulo de exemplo, um estudo realizado na Suécia e que se debruçou sobre a hereditariedade desta característica, mostrou que aproximadamente 11% dos descendentes de casais em que ambos os pais não tinham cova no queixo possuem de facto uma cova no queixo.
Para mais informação sobre os padrões hereditários desta e outras características humanas supostamente mendelianas agradecia que consultassem o site:
https://udel.edu/~mcdonald/mythintro.html.
Re:Genética/Semelhança entre pais e filhos
Data: 17-10-2013 | De: Alexandra Sá Pinto