Contas de Cabeça!

24-11-2013 20:08

 

 

    Este é um artigo bastante simples sobre contas de cabeça, mas que ainda assim espero que possa servir de alguma coisa a alguém.

 

    Há quem tenha mais facilidade a fazer contas de cabeça do que outras pessoas, no entanto, creio que todos podem melhorar se treinarem. Neste artigo vou dar algumas dicas de como pensar nas contas, de modo a torná-las mais simples na nossa cabeça, usando métodos que à partida são vossos conhecidos. Simultaneamente irei apresentando outros pequenos truques, ou chamadas de atenção, com o intuito de que algumas noções possam ficar mais claras para todos. Não pretendo ofender a inteligência de ninguém, portanto sempre que acharem algo muito simples, simplesmente ignorem e passem à frente.

 

Somar

 

    Vou começar pela operação mais simples, a primeira a ser aprendida pelas crianças. Imaginando que queremos fazer “47+78″, como é que o fazem de cabeça?

 

    O método mais simples, do meu ponto de vista, e que creio que a maioria das pessoas irá usar intuitivamente é a “decomposição” dos números: 47=40+7 e 78=70+8, logo, 47+78=(40+70) + (7+8)=110+15=125.

 

    É claro que tendo números maiores que a centena, talvez dê jeito fazer uma decomposição diferente, ou mais decomposições (o que já se poderá tornar confuso).

 

    Nesse caso, eu costumo pensar do mesmo modo como se fazem as contas no papel, em que se colocava um número debaixo de outro… Tendo “534+297″, primeiro somam-se as unidades, depois as dezenas e finalmente as centenas, tendo apenas o cuidado de verificar se a soma é superior a 9, pois nesse caso tem que se somar uma unidade à conta seguinte. Na verdade, o que se está a fazer nesse caso é bastante semelhante ao que se fez anteriormente, ainda que não estejamos a pensar no processo deste modo:

 

534+297=(4+7) + (3+9)\cdot 10 + (5+2)\cdot 100 = 1 + (1+3+9)\cdot 10+(5+2)\cdot 100 = 1+30+(1+5+2)\cdot 100= 1+30+800=831

 

   Embora o processo que é ensinado na escola seja intuitivo, isto é, qualquer pessoa compreende porquê que funciona, infelizmente não se costuma mostrar o porquê dele ser verdadeiro, como aqui mostrei com este exemplo. (Nota: a multiplicação pode ser representada com um ponto, como aqui uso.)

 

    Se estiverem a somar mais que dois números em simultâneo, podem usar estes mesmos “métodos”, ou então ir somando sucessivamente.

 

    Já agora, aproveito para esclarecer a noção nem sempre compreendida de que a subtracção não é mais que um caso particular da soma: simplesmente o número somado é negativo (daí que “mais com menos dê menos”). Do mesmo modo, a divisão é um caso particular da multiplicação: o número multiplicado é inferior a 1 (por exemplo, dividir por 2 é o mesmo que multiplicar por 0,5).

 

Multiplicar

 

    O método que se usou na soma, pode ser usado na multiplicação de modo semelhante, só têm que aplicar as regras básicas:

 

51\cdot 78=(50+1)\cdot(80-2)=50\cdot 80-50\cdot 2+80-2=4000-100+78=4000-22=3978

 

    A única dificuldade poderá ser o ter que ter em simultâneo quatro contas na cabeça. Podem, porém, fazer de uma forma mais sequencial, começando apenas por fazer 50x78, e depois somar 78.

 

    Outro problema que algumas pessoas têm é que já não se lembram bem da tabuada para números superiores a 5. O “método” pode ser aplicado também nesses casos, substituindo por exemplo apenas um dos números por uma soma, ou uma multiplicação:

 

7\cdot 8=7\cdot(4\cdot 2)=7\cdot 4\cdot 2=(7\cdot 4)\cdot 2=28\cdot 2=(30-2)\cdot 2=30\cdot 2-2\cdot 2=60-4=56

 

    No caso de divisões, que como disse, são um caso particular da multiplicação, podem também aplicar a mesma “técnica”: podem sempre trocar um número pela multiplicação de dois (ou mais), ou à soma de dois ou mais números (embora neste caso tal só seja vantajoso se o número “alterado” estiver no numerador). Exemplo:

 

 

    Notar que:

 

Quadrados

 

    O quadrado de um número é a multiplicação dele por si próprio (o quadrado de A é AxA). Chama-se quadrado, fazendo a analogia com a geometria, ou seja, trata-se da área do quadrado cuja aresta tem de comprimento o número em causa.

 

    Neste caso podem-se usar os “casos notáveis”. Vou relembrá-los para quem não se lembra:

 

(a+b)^2=(a+b) (a+b)=a^2+2 a b+b^2

(a-b)^2=(a-b) (a-b)=a^2-2 a b+b^2

(a+b) (a-b)=a^2-b^2

 

    Na verdade, o primeiro é igual ao segundo, porque ‘a’ e ‘b’ podem ser tanto números positivos, como negativos (até podem ser números complexos). Qualquer um dos “casos notáveis” é fácil de demonstrar, basta fazer as multiplicações (notar que a multiplicação também pode ser simbolizada sem qualquer sinal, como aqui usei).

 

    Assim, podem usar isto do mesmo modo que se usou anteriormente as outras propriedades:

 

 

    Se tiverem a subtracção entre dois quadrados, já estão a ver o que fazer (usar o terceiro “caso notável”):

 

34^2-26^2=(34+26)\cdot (34-26)=60\cdot 8=60\cdot 4\cdot 2=240\cdot 2=480

 

    Por vezes o quadrado pode estar já feito, mas se os reconhecerem, poderão fazer o mesmo:

 

 

    É claro que isto já é pouco proveitoso, porque normalmente as pessoas não conhecem muitos quadrados, apenas os mais pequenos, onde isto não tem grande utilidade, visto que se pode fazer directamente, como mostrei antes:

 

121-64=120-60+1-4=60-3=57

 

    Infelizmente, na escola, os professores tendem apenas a ensinar os alunos a usar estas regras simples que aqui usei (distributiva, associativa, etc.) apenas num sentido, esquecendo-se de mostrar aos alunos como usá-las no sentido inverso, como aqui mostrei, o que, como vêm, pode ser útil.

 

    Bom, para já é tudo. É claro que ninguém ficou a saber fazer melhor contas de cabeça tendo lido isto, pois só com a prática é que se vai lá. A quem não aprendeu nada, peço desculpa. Apenas usei propriedades simples, para que o artigo fosse mais visado a quem aprendeu menos de matemática. É claro que, usando por exemplo derivadas, integrais, expansão de Taylor, etc., é possível simplificar muitas outras “contas” ou problemas, no entanto, quem aprendeu isso parece-me que já terá aprendido suficiente matemática para o fazer por si próprio se o desejar.

 

    Estejam à vontade para darem sugestões, ou partilharem os vossos próprios “métodos”.

 

 

Marinho Lopes (colaborador do Ciência com Todos e doutorando em Física na U. de Aveiro) - texto primeiramente publicado no Blog do autor: Sophia of Nature.

 

Ver original em: https://sophiaofnature.wordpress.com/2012/08/30/contas-de-cabeca/

 

Tópico: Comentários

Contas de Cabeça

Data: 25-11-2013 | De: Antisec Morais

Adorei o post.Ótima contribuição.Mas um tijolinho.Um dia faremos um castelo.

Re:Contas de Cabeça

Data: 25-11-2013 | De: Marinho Lopes

Obrigado. :)

contas de cabeça

Data: 24-11-2013 | De: Graciete Virgínia Rietsch Monteiro Fernandes

Interessante!!!!!
Mas mesmo assim é preciso ter uma memória razoável.
Eu, quando era nova, costumava ter certa facilidade em fazer contas de cabeça porque, no Liceu, tive uma excelente professora de Matemática que nos motivava para isso.

Um abraço

Re:contas de cabeça

Data: 25-11-2013 | De: Marinho Lopes

É uma questão de prática. Quanto maior for a rapidez, menor será a necessidade de memória. :)
Abraço.

100111011110011

Data: 24-11-2013 | De: 0101001010100100

101100110010011001110110000111001000111001001100100110001101101000011??????

Re:100111011110011

Data: 25-11-2013 | De: Marinho Lopes

Traduzindo em código Morse binário, fiquei na mesma sem perceber o seu comentário, caro E6I.

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