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      <title><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia - cienciapatodos.webnode.pt]]></title>
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      <language>pt</language>
      <pubDate>Wed, 09 Oct 2013 21:56:00 +0200</pubDate>
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      <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
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         <title><![CDATA[Abelhões sentem os campos eléctricos das flores]]></title>
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         <description><![CDATA[&nbsp;

&nbsp;
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Abraço o arco-íris com o olhar visível.

	&nbsp;

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A separação das componentes do espectro da luz solar, ao atravessarem as gotas de água, imprime na minha retina sensações de uma paleta de cores que o meu cérebro retém. A cada nuance colorida associa um nome e mesmo outras sensações de alegria, esperança, espanto, confiança, frio ou calor. As cores passam a ser elementos da minha comunicação com o mundo que me...]]></description>
         <pubDate>Wed, 09 Oct 2013 21:56:00 +0200</pubDate>
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         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-3D_YszX04ZE/UStnQYT7xvI/AAAAAAAABS8/zQEJRjiJeIE/s1600/abel%C3%A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-right: 1em; margin-left: 1em;"><img border="0" height="235" src="http://1.bp.blogspot.com/-3D_YszX04ZE/UStnQYT7xvI/AAAAAAAABS8/zQEJRjiJeIE/s320/abel%C3%A3o.jpg" style="width: 356px; height: 259px;" width="320"></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Abraço o arco-íris com o olhar visível.</p>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A separação das componentes do espectro da luz solar, ao atravessarem as gotas de água, imprime na minha retina sensações de uma paleta de cores que o meu cérebro retém. A cada nuance colorida associa um nome e mesmo outras sensações de alegria, esperança, espanto, confiança, frio ou calor. As cores passam a ser elementos da minha comunicação com o mundo que me rodeia.</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas há muito mais radiação para além da pequena região da luz que nos impressiona visivelmente no espectro da luz solar. Por exemplo, não conseguimos ver as radiações ultravioletas nem as infravermelhas. Também não conseguimos ver as radiofrequências nem as micro-ondas, e assim por adiante.</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas outros seres que coabitam connosco este planeta conseguem percepcionar a luz para além da região do espectro visível. Por exemplo, as abelhas conseguem ver cores ultra-violetas. Este facto levou o biólogo evolucionista Richard Dawkins a referir que para os insectos os campos de flores são “jardins ultravioletas”. Se para a maioria de nós as pétalas do mal-me-quer são uniformemente brancas, para uma abelha pode haver nelas uma outra riqueza de padrões coloridos que nós não conseguimos ver. É possível viver estas sensações na exposição permanente do <a href="http://museudaciencia.pt/" target="_blank">Museu da Ciência da Universidade de Coimbra</a>.</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É o espelho da co-evolução entre as plantas com flor e os insectos que as polinizam. Ao longo de milhões de anos a evolução natural consertou as adaptações ajustando-as para uma comunicação mais eficaz e rica entre ambos.</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas a Natureza não para de nos espantar. Num trabalho publicado na última edição da revista <a href="http://www.sciencemag.org/content/early/2013/02/20/science.1230883" target="_blank">Science </a> mostra-se que pelo menos um dado tipo de abelhões (<em>Bombus terrestris</em>) é sensível à carga eléctrica, ou ao campo eléctrico, de uma dada flor. E que esta carga eléctrica parece estar associada com o conteúdo em pólen que essa flor possui num dado momento.</div>
<div style="text-align: center; clear: both;">
	<div>
		&nbsp;</div>
	<div>
		&nbsp;</div>
	<div style="clear: both;">
		<a href="http://3.bp.blogspot.com/-9RjfEXyIJhw/UStn6JX8cBI/AAAAAAAABTE/pzCcn0mCdGY/s1600/texto+1+imagem.jpg" imageanchor="1"><img border="0" height="155" src="http://3.bp.blogspot.com/-9RjfEXyIJhw/UStn6JX8cBI/AAAAAAAABTE/pzCcn0mCdGY/s320/texto+1+imagem.jpg" style="width: 356px; height: 187px;" width="320"></a></div>
	<div>
		&nbsp;</div>
	<div>
		&nbsp;</div>
	<div style="text-align: justify;">
		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os investigadores descobriram que depois de uma flor ser visitada por uma abelhão, que lhe retira pólen, a carga eléctrica desta flor altera-se e esta mudança permanece durante alguns minutos. Assim, um outro abelhão, ao se aproximar dessa flor, apercebe-se, provavelmente electrostaticamente, que o conteúdo em pólen é reduzido.<br>
		<br>
		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Apesar de toda beleza cromática que apresenta para atrair o insecto, a flor não faz "publicidade enganosa" e comunica ao insecto que não vale a pena, naquele momento, ele nela poisar se ao pólen vem. O abelhão agradece, pois, como em outras actividades, nesta o tempo também é precioso. Para a flor, como também em outros casos, é importante dizer a verdade para que o insecto a ela volte noutra altura de mais abundância polínica.</div>
	<div style="text-align: justify;">
		&nbsp;</div>
	<div style="text-align: justify;">
		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para uma abelha um campo de flores não é só um jardim no ultravioleta. Este também está repleto de sensações electroestáticas que tornam a comunicação mais efectiva e rica de significados.</div>
</div>
<div>
	&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;</div>
<div style="text-align: justify;">
	<p style="text-align: justify;"><strong>António Piedade </strong>(colaborador do CcT, bioquímico, investigador e divulgador científico) - texto publicado primeiramente no Blog&nbsp;do autor: <strong>Momentos de Ciência</strong>.</p>
	<p>&nbsp;</p>
	<p>Ver original em: <a href="http://momentosciencia.blogspot.pt/2013/02/abelhoes-sentem-os-campos-electricos.html">http://momentosciencia.blogspot.pt/2013/02/abelhoes-sentem-os-campos-electricos.html</a></p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
	&nbsp;</div>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[A controversa investigação em células "estaminais"]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/a-controversa-investiga%c3%a7%c3%a3o-em-celulas-%22estaminais%22/</link>
         <description><![CDATA[
	

	Blastocisto humano ao 5º dia pós-conceção.

	Crédito:&nbsp;&nbsp;http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Blastocyst,_day_5.JPG

	&nbsp;

	Recentemente fui convidado para integrar a mesa dum debate intitulado "Limites da Ciência - A controversa Investigação em células estaminais", que fazia parte do XIII Encontro Nacional de Estudantes de Biologia. Admirei-me com o título: limites da ciência, logo neste contexto?

	Para mim, esses limites são apenas os que a nossa própria ignorância impõe,...]]></description>
         <pubDate>Tue, 14 Aug 2012 01:50:00 +0200</pubDate>
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         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fd/Blastocyst%2C_day_5.JPG"><img alt="File:Blastocyst, day 5.JPG" height="480" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fd/Blastocyst%2C_day_5.JPG" style="width: 244px; height: 185px;" width="640" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
	<strong>Blastocisto humano ao 5º dia pós-conceção.</strong></p>
<p style="text-align: center;">
	<strong>Crédito:&nbsp;&nbsp;<a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Blastocyst,_day_5.JPG">http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Blastocyst,_day_5.JPG</a></strong></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">
	Recentemente fui convidado para integrar a mesa dum debate intitulado "Limites da Ciência - A controversa Investigação em células estaminais", que fazia parte do XIII Encontro Nacional de Estudantes de Biologia. Admirei-me com o título: limites da ciência, logo neste contexto?</p>
<p style="text-align: justify;">
	Para mim, esses limites são apenas os que a nossa própria ignorância impõe, mas percebe-se desde logo que o que está aqui em causa é uma corrente social que pretende, nesta e noutras áreas, impor limites à investigação científica em matérias que ameacem a dignidade humana -- sem o saberem, os cientistas que estudam células "estaminais"<sup><font color="#005353" size="2">1</font></sup> obtidas de embriões humanos seriam comparáveis aos médicos no regime nazi, que usavam prisioneiros como se fossem animais de laboratório.</p>
<p style="text-align: justify;">
	Trata-se de embriões que não são produzidos para fazer-se investigação científica: no processo de fertilização em laboratório, utilizado para resolver problemas de fertilidade (em tempos usava-se o termo "bebé-proveta" para os indivíduos que se geravam por este processo, mas eram outros tempos, de facto), produzem-se vários embriões, porque está longe de ser 100% eficaz. Uma vez conseguida a implantação de um e a gravidez ter sucesso, os restantes passam ao estatuto de "supranumerários" e deverão ser eliminados (embora não o sejam de imediato, pela polémica que envolve). Os cientistas reivindicam a sua utilização para o progresso do conhecimento científico que pode ser conquistado com o estudo destes embriões, que não pode ser conseguido noutros sistemas experimentais. Este conflito reflecte-se em textos legais como a Carta Europeia dos Direitos Fundamentais (Nice, 2000), que proclama a liberdade académica e da investigação científica (artº 13º) enquanto na observância da dignidade do ser humano (artº 1º). Por isso importa analisar até que ponto essa dignidade é posta em causa pela utilização dos embriões supranumerários.</p>
<p style="text-align: justify;">
	Relembremos a célebre ovelha Dolly. Ela foi o fruto da investigação sobre um aspecto muito importante da constituição dos organismos: o potencial regenerador que existe praticamente em todos os tecidos e órgãos do corpo adulto, necessário para a reparação de lesões, para a compensação do desgaste, para a substituição de elementos que funcionam mal, para todos os tipos de crescimento. Dolly demonstrou a possibilidade de explorar esse potencial, ao ponto de recuperarem-se todas as virtualidades do desenvolvimento que se encontram no ovo, aquilo que se designa tecnicamente de totipotência. Por outras palavras, a partir de células "estaminais" duma ovelha, obtiveram uma réplica do ovo donde ela mesma se desenvolvera. Como demonstração, foi um grande feito científico, apenas por uma razão -- através de Dolly podiam aprender-se muitas coisas. Apenas aprender, que é aquilo a que os cientistas dedicam as suas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">
	O conhecimento científico é património universal. É a luz do conhecimento que ilumina o uso da razão no modo como agimos sobre a natureza e as suas leis. Pelo contrário, é com o alimento da ignorância que se sustenta a irracionalidade nessa actuação e muitos males que se sofrem por causa disso. E foi por isso que me chocou ouvir naquele debate invocar-se o espantalho duma "ruptura antropológica" a que nos arriscamos com este conhecimento e a sua utilização; uma ruptura antropológica, entenda-se, é uma revolução na maneira de perceber a nossa espécie, variavelmente definida segundo os contextos, de resto nem sempre com uma conotação negativa (a invenção da roda trouxe uma ruptura antropológica). Mas um termo assim, como foi usado neste debate, parece visar um reforço do medo do conhecimento. Mas é apenas um espantalho, e como tal devemos saber ignorá-lo. Racionalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">
	O artigo dum psicanalista francês<sup><font color="#005353" size="2">2</font></sup> estrutura os valores deste debate sob o ponto de vista da "intenção" com que se usam células "estaminais":</p>
<ol>
	<li style="text-align: justify;">
		uma intenção terapêutica, quando se trate de usar o seu poder regenerador para assistir na reconstituição de estruturas perdidas (um dos exemplos mais notáveis é o tratamento de indivíduos com queimaduras extensas, aplicando-lhes epiderme produzida a partir de células "estaminais" autólogas);</li>
	<li style="text-align: justify;">
		uma intenção oportunista, no sentido em que se aproveitam células "estaminais" embrionárias (ou adultas, como no caso da ovelha Dolly) para a procriação;</li>
	<li style="text-align: justify;">
		uma intenção eugénica, em que o seu potencial é aplicado em larga escala, seja para a produção de clones (isto é, séries de indivíduos idênticos entre si) "desenhados" ou seleccionados para certo fim, seja para a produção de embriões apenas como dadores de órgãos (uma versão desta última possibilidade foi mais ou menos bem explorada no filme "A Ilha", embora com muita fantasia à mistura).</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
	Não é difícil perceber que, destas, só a intenção terapêutica é defensável dentro da nossa ética<sup><font color="#005353" size="2">3</font></sup>, e como no exemplo da epiderme até pode nem ser preciso recorrer a embriões para obter células "estaminais", aliás um recurso proibitivo à escala da aplicação clínica.</p>
<p style="text-align: justify;">
	Mas a questão dos embriões supranumerários, cuja razão de ser termina com o sucesso da reprodução a partir de um dos irmãos, é uma batata quente para todos. A alternativa a serem estudados é a de serem eliminados. Para quem pretende impedir o seu estudo com o facto de estar-se a experimentar em seres humanos -- que já em embrião talvez tenham sentimentos (e logo se imagina um coração que bate, bem acelerado), talvez uma consciência individual, talvez um direito civil? -- aqui vão umas verdades:</p>
<ul>
	<li style="text-align: justify;">
		Se a ciência não pode estudar embriões supranumerários, então tem de eliminá-los, e isso seria, pela mesma lógica, um assassínio, ainda por cima colectivo;</li>
	<li style="text-align: justify;">
		Sendo uma necessidade tecnológica, como reserva para insucessos com sucessivas tentativas de implantação e desenvolvimento, pela mesma lógica devia excluir-se uma tecnologia que deixa "resíduos" de tamanho melindre;</li>
	<li style="text-align: justify;">
		Mas estes embriões estão num estado tão precoce que não há órgãos formados, e para quem veja a imagem do que são, os "talvez" facilmente passariam a "não";</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">
	A verdade, finalmente, é que se está tentar negar um direito a aprender, recorrendo a uma argumentação ética contraditória e confusa, e erros de apreciação do foro da Biologia. E mesmo quando as terapêuticas evoluírem para o recurso apenas a células "estaminais" adultas, ainda haverá muito que aprender com embriões supranumerários.</p>
<p style="text-align: justify;">
	Dito isto, não fiquem dúvidas de que o desenvolvimento tecnológico, fruto do que se aprende com o método científico, também abre oportunidades de negócio que têm de ser regulamentadas e vigiadas. Mas impor limites ao estudo científico com o argumento da "ruptura antropológica" é como impedir que se tentasse dominar o fogo há milhares de anos atrás, com o argumento de que daria azo a fogos-postos no futuro. É de certeza mais produtivo aprendermos, de par com os avanços no conhecimento científico, a conceber a sua utilização apenas para o bem comum. Aprendamos, pois.</p>
<p style="text-align: right;">
	<strong>Paulo de Oliveira</strong></p>
<p style="text-decoration: underline;">
	&nbsp;</p>
<p style="text-decoration: underline;">
	Notas</p>
<p class="notas" style="text-align: justify;">
	<sup><font size="1">1</font></sup> Estaminal quer dizer "relativo aos estames", e por sua vez estame quer dizer órgão reprodutor masculino das flores das espermatófitas, radicando no latim <em>stamìne-</em>, que quer dizer fio. Nada disto tem a ver com o significado atribuído ao conceito que é internacionalmente conhecido como <em>stem cells</em>, e o seu uso em Portugal tem sido repetidamente criticado em diversos quadrantes científicos. Para fazer justiça ao significado biológico destas células, mas tendo em conta a ampla divulgação que têm nos órgãos de comunicação social, a tradução literal para <span style="text-decoration: underline;">células-tronco</span>, comum no Brasil, também traz problemas de inteligibilidade pois relaciona-se com uma imagem abstracta do processo de diferenciação e especialização celulares, que "entronca" em células pluripotentes e se ramifica em células progressivamente unipotentes. O mesmo problema de inteligibilidade põe-se com o termo <span style="text-decoration: underline;">células-mãe</span>, que para além disso é confuso. A solução para este impasse é bastante simples, embora não seja ainda consensual: <span style="text-decoration: underline;">células germinais</span>, ou <span style="text-decoration: underline;">células geradoras</span>.</p>
<p class="notas">
	<sup><font size="1">2</font></sup> <a href="http://www.1000questions.net/pt/chroniq/Clonagem.html" target="_blank"><font color="#005353">http://www.1000questions.net/pt/chroniq/Clonagem.html</font></a></p>
<p class="notas" style="text-align: justify;">
	<sup><font size="1">3</font></sup> A Comissão Europeia emitiu em 2003 alguns documentos orientadores que continuam a formar o referencial das decisões a nível comunitário sobre o apoio à investigação (<a href="http://ec.europa.eu/research/index.cfm?pg=search" target="_blank"><font color="#005353">http://ec.europa.eu/research/index.cfm?pg=search</font></a>, referências 2003/0151 (CNS) e SEC(2003) 441), vedando esse apoio à clonagem reprodutiva ("Dolly" humanos), à modificação genética, e à produção de embriões apenas para investigação ou para obtenção de células "estaminais", embora admita o recurso a embriões supranumerários ou células em cultura obtidos antes de 2003. Por sua vez, os apoios a nível nacional podem variar: Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia e Holanda permitem essa utilização de embriões, desde que sejam supranumerários de reprodução medicamente assistida — mas reconheça-se que pode resultar daqui a tentação de "superproduzir" embriões supranumerários, manipulando a ovulação, o que tem de ser muito bem vigiado.</p>
<p class="notas">
	&nbsp;</p>
<p class="notas">
	<strong>Ver original em: <a href="http://home.dbio.uevora.pt/~oliveira/Imprensa/Estaminais.html">http://home.dbio.uevora.pt/~oliveira/Imprensa/Estaminais.html</a></strong></p>
<p class="notas">
	&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Vida]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/vida/</link>
         <description><![CDATA[
	&nbsp;

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Terra é habitada por&nbsp;milhões de milhões de seres, alguns considerados&nbsp;vivos, outros não. Todos eles são formados por elementos químicos. Onde reside então a diferença? Essencialmente na forma de organização desses elementos. A vida é uma manifestação fantástica da organização de elementos químicos.

	&nbsp;

	Vida

	O mundo com todas as suas fragrâncias

	é feito de elementos, misturas, substâncias.

	Elementos mais ou menos cem.

	Como pode...]]></description>
         <pubDate>Mon, 02 Jul 2012 00:29:00 +0200</pubDate>
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         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A Terra é habitada por&nbsp;milhões de milhões de seres, alguns considerados&nbsp;vivos, outros não. Todos eles são formados por elementos químicos. Onde reside então a diferença? Essencialmente na forma de organização desses elementos. A vida é uma manifestação fantástica da organização de elementos químicos.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<em><a href="http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3992735970237960160"><strong>Vida</strong></a></em></p>
<p>
	<em>O mundo com todas as suas fragrâncias</em></p>
<p>
	<em>é feito de elementos, misturas, substâncias.</em></p>
<p>
	<em>Elementos mais ou menos cem.</em></p>
<p>
	<em>Como pode acreditar alguém, com senso,</em></p>
<p>
	<em>que a diversidade de um&nbsp;universo tão imenso</em></p>
<p>
	<em>a partir de tão pouco seja conseguida?</em></p>
<p>
	<em>Mas o mais estranho é o que agora vem.</em></p>
<p>
	<em>Muito menos elementos tem</em></p>
<p>
	<em>aquilo a que resolvemos chamar&nbsp;vida.</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Gouveia R</strong>. in <em>Reflexões e Interferências</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Possuindo não apenas unidade de composição mas também unidade funcional, a célula é a unidade básica da vida de todos os seres vivos, de cujo trabalho depende a própria vida.<br />
	Todo ser vivo é formado por células, alguns por uma única célula, seres unicelulares, outros por várias, pluricelulares.<br />
	<br />
	<em>O ser humano é pluricelular. O corpo humano adulto é formado por cerca de 10&nbsp;mil biliões&nbsp;de células. As maiores células do corpo humano têm aproximadamente o mesmo diâmetro de um fio de cabelo, mas a maioria são menores do que isso têm cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo humano, ou seja, um fio de cabelo tem cerca de 100 mícrons de diâmetro (um mícron é um milionésimo de um metro assim 100 mícrons correspondem a um décimo de um milímetro), deste modo uma célula humana comum pode ter cerca de um décimo do diâmetro de um fio de cabelo (10 mícrons). O dedo mínimo do pé representa 2 a 3&nbsp;mil milhões&nbsp;de células, dependendo do seu tamanho, em analogia considerando uma casa grande cheia de ervilhas, a casa corresponderia ao dedo mínimo do pé e as ervilhas às <a href="http://cnrecursoseducativos.wordpress.com/2009/02/15/a-celula-unidade-fundamental-da-vida/">células</a>.</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Entre as várias células que compõem o corpo humano, as que mais me fascinam são os neurónios, responsáveis por quase tudo que ocorre no nosso corpo.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p align="center">
	<span new="" style="color: black; font-family: ;" times=""><span style="color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;"><v:shapetype coordsize="21600,21600" filled="f" id="_x0000_t75" o:preferrelative="t" o:spt="75" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" stroked="f">&nbsp;<v:stroke joinstyle="miter">&nbsp;<img height="100" src="http://3.bp.blogspot.com/-6oCYeZ4uiTs/T_DCMGBMz9I/AAAAAAAACbM/JBJchyb_FZI/s1600/index.jpg" style="width: 132px; height: 109px;" width="128" /></v:stroke></v:shapetype></span></span></p>
<p>
	<em>O neurónio é&nbsp; uma célula nervosa, estrutura básica do sistema nervoso, comum à maioria dos vertebrados. Os neurónios são células altamente estimuláveis, que processam e transmitem informação através de sinais eletroquímicos. Uma das suas características é a capacidade das suas membranas plasmáticas gerarem impulsos <a href="http://wikiciencias.casadasciencias.org/index.php/Neur%C3%B3nio%20">nervosos</a>.</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	E a propósito de neurónios não posso deixar de referir o texto <em>Caminhos neuronais</em>, da autoria do bioquímico António Piedade, incluído no livro “<em>Caminhos de Ciência</em>”.</p>
<p style="text-align: center;">
	<img height="653" src="http://3.bp.blogspot.com/-5huF2RNOaT8/T_DCOlSNFWI/AAAAAAAACbc/cw7cZMMpLfs/s1600/neuronios.jpg" style="width: 210px; height: 316px;" width="454" /></p>
<p align="center">
	&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;O referido texto pode ser lido na íntegra <a href="http://dererummundi.blogspot.pt/2010/07/caminhos-neuronais.html">aqui</a>.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<em>Caminhos neuronais </em></p>
<p>
	<em>Caminho adentro um trilho florestal debruado por pinheiros e eucaliptos. As folhas acompanham-me com os versos do poeta andaluz, Manuel Machado: “…caminante no hay camino, se hace el camino al andar”. De facto, só ao caminhar desvendo o fluir do caminho, os seus trilhos efluentes, as suas sendas que ficam inexoráveis para trás.<br />
	<br />
	Caminho à beira-mar com a água salina a ondular a areia em vagas pulsantes. A cada onda, desaparecem os rastos dos meus passos. É como se a água levasse o caminho feito. A cada onda, renova-se o areal horizonte de meus passos futuros, como se uma nova folha se esbranquiçasse para receber, novamente virgem, o traço seguinte.<br />
	<br />
	Caminho ao longo de um axónio imaginário, prolongamento celular nervoso que nasce do corpo neuronal e se espraia até à enseada da sua ligação, ou sinapse, com o neurónio a quem passa o testemunho de uma mensagem que flui. Flui como uma onda salina de potássio e sódio, propulsionada por uma acção potencial de natureza electroquímica. A passagem de testemunho tem cambiantes químicos que modelam a mensagem com neurotransmissores específicos: serotonina e noradrenalina associadas ao “humor”; dopamina ao controlo motor; acetilcolina à aprendizagem e memória; ácido gama-aminobutírico à inibição; glutamato e aspartato à estimulação; et cetera.<br />
	<br />
	A vaga neurotransmissora banha o neurónio pós-sináptico, passo seguinte, e uma nova onda se espoleta e conflui com milhares de outras vindas de tantos outros neurónios, numa raiz dendrítica que encorpa no integrante corpo celular.<br />
	<br />
	E assim, de sinapse em sinapse, passo a passo, a mensagem faz o seu caminho e a via neuronal se estabelece, consequente, numa acção causal de efeitos complexos ainda pouco estabelecidos, porque muitos são os caminhos e muitas as suas intercomunicações em rede(…).<br />
	<br />
	(…) Um dia, se o sonho tiver natureza neuronal, peço emprestado o verso ao poeta luso António Gedeão e digo que “Eles nem sabem nem sonham, que o sonho comanda à vida” e que é pelo sonho que caminhamos!</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Fotografias de neurónios feitas em alguns dos principais laboratórios de neurociências do mundo foram reunidas sob a inédita forma de uma exposição de artes plásticas que já passou por cidades como Barcelona, Chicago e Rio de <a href="http://oglobo2.globo.com/vivermelhor/fotogaleria/2009/7606/">Janeiro</a>.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	O Espaço Ciência Viva, no Rio de Janeiro, realizou uma atividade com o tema “Cérebro – Viajando na Linguagem”, integrada num&nbsp;Projeto <em>Ciência e Arte</em>. Os participantes foram envolvidos na criação artística de Redes <a href="http://arteecienciaporquenao.blogspot.pt/">Neurais</a>.&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Aqui ficam duas imagens de trabalhos realizados:</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<span new="" style="color: black; font-family: ;" times=""><span style="color: blue; text-decoration: none; text-underline: none;"><v:shapetype coordsize="21600,21600" filled="f" id="_x0000_t75" o:preferrelative="t" o:spt="75" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" stroked="f">&nbsp;<v:stroke joinstyle="miter">&nbsp;<v:formulas>&nbsp;<v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0">&nbsp;<v:f eqn="sum @0 1 0">&nbsp;<v:f eqn="sum 0 0 @1">&nbsp;<v:f eqn="prod @2 1 2">&nbsp;<v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth">&nbsp;<v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight">&nbsp;<img src="http://3.bp.blogspot.com/-ToYUalbVLXQ/T_DCNUPihUI/AAAAAAAACbU/7VvtZKbJCK4/s1600/neur.jpg" /><v:f eqn="sum @0 0 1">&nbsp;<v:f eqn="prod @6 1 2">&nbsp;<v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth">&nbsp;<v:f eqn="sum @8 21600 0">&nbsp;<v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight">&nbsp;<v:f eqn="sum @10 21600 0">&nbsp;</v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:f></v:formulas>&nbsp;<v:path gradientshapeok="t" o:connecttype="rect" o:extrusionok="f">&nbsp;<o:lock aspectratio="t" v:ext="edit">&nbsp;</o:lock></v:path></v:stroke></v:shapetype></span></span></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<img src="http://2.bp.blogspot.com/-qb4ouvEYPO4/T_DCShl8VxI/AAAAAAAACbs/-BQ0yOpZ368/s1600/s3.jpg" /></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Antes de terminar gostaria de inserir &nbsp;mais um poema ...</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong><em>Viagem</em></strong></p>
<p>
	<em>Do quark ao átomo, do átomo à célula, da célula à vida,</em></p>
<p>
	<em>quanta energia despendida, quanta energia transformada …</em></p>
<p>
	<em>Para quê tanta corrida se afinal é breve a estada?</em></p>
<p>
	<em>Já se aproxima a partida, foi há tão pouco a chegada.</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Gouveia R.</strong> (in <em>Pro tempore Suo tempore</em>, a aguardar publicação)</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	E termino com uma questão colocada em 10 de junho,&nbsp;no blog&nbsp;<em>De Rerum <a href="http://dererummundi.blogspot.pt/2012/06/existe-vida-fora-da-terra.html">Natura</a></em>:</p>
<p>
	<em>Existirá vida fora da Terra?</em></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<span style="display: none;">&nbsp;</span></p>
<p>
	<span id="cke_bm_74S" style="display: none;">&nbsp;</span><strong>Regina Gouveia </strong>(texto publicado no blog "Do caos ao cosmos", a&nbsp;01 de&nbsp;Julho de 2012)</p>
<p>
	Ver original em: <a href="http://docaosaocosmos.blogspot.pt/2012/07/vida.html">http://docaosaocosmos.blogspot.pt/2012/07/vida.html</a></p>
<p>
	<span id="cke_bm_74E" style="display: none;">&nbsp;VerVe</span></p>
<p>
	&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Co-Evolução]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/rdp-co-evolu%c3%a7%c3%a3o/</link>
         <description><![CDATA[
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;

	&nbsp;

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dentro de um mesmo género, em flores que pertencem a espécies muito próximas, as diferenças de cor podem ser radicais, e é evidente que isso não acontece por acaso. Um caso bem estudado é o do género Solanum, em que a disseminação das sementes é feita tanto por morcegos como por aves. As flores em que as sementes são disseminadas pelos morcegos &nbsp;têm flores esverdeadas ou brancas, enquanto que as que são&nbsp; disseminadas pelas...]]></description>
         <pubDate>Sun, 10 Jun 2012 14:38:00 +0200</pubDate>
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         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img height="451" id="il_fi" src="http://www.nybg.org/wordpress/wp-content/uploads/2009/05/sturnira_flight.jpg" style="width: 395px; height: 262px; padding-top: 8px; padding-right: 8px; padding-bottom: 8px;" width="680" />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<img height="478" id="il_fi" src="http://www.hlasek.com/foto/solanum_dulcamara_6531.jpg" style="width: 393px; height: 257px; padding-top: 8px; padding-right: 8px; padding-bottom: 8px;" width="642" /></p>
<p style="text-align: right;">
	&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dentro de um mesmo género, em flores que pertencem a espécies muito próximas, as diferenças de cor podem ser radicais, e é evidente que isso não acontece por acaso. Um caso bem estudado é o do género <em>Solanum</em>, em que a disseminação das sementes é feita tanto por morcegos como por aves. As flores em que as sementes são disseminadas pelos morcegos &nbsp;têm flores esverdeadas ou brancas, enquanto que as que são&nbsp; disseminadas pelas aves se desdobram em tons de vermelho vivo. As que os morcegos disseminam não desperdiçam nenhuma energia metabólica produzindo o que seria, para elas, um pigmento vermelho inútil: os morcegos são cegos, e portanto não é, obviamente, a cor das flores que os atrai. A evolução funcionou toda no sentido da eliminação de esforços inúteis.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há um pormenor curioso na co-evolução dos insectos e das plantas que se reproduzem através das flores na última centena de milhões de anos. Já toda a gente ouviu falar do desenvolvimento de cores berrantes e chamativas, dos aromas, e dos feitios dramáticos com que as flores atraem os insectos e as aves até aos seus órgãos sexuais (algumas flores chegam a imitar a forma da fêmea do insecto que assegura a sua disseminação). Agora, há certos tipos de frutos, de tons laranja e vermelho, que parecem só ter aparecido algures nos últimos trinta milhões de anos, em simultâneo com a evolução da visão tricromática de macacos e primatas. Estes frutos, uma peça emblemática da dieta dos macacos, tornaram-se particularmente visíveis para os olhos tricromáticos no meio da folhagem emaranhada da selva; e as plantas, pelo seu lado, dependiam dos macacos para espalharem as sementes através das suas fezes. Ambos evoluíram em sintonia.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não podemos é deixar de notar que algumas aves já tinham desenvolvido a visão tricromática muito antes dos macacos. Por que é que não se lançaram no processo de co-evolução com os frutos de tom laranja e vermelho? Já vimos que eles ainda nem sequer existiam antes da entrada em cena dos macacos e primatas que os procuram. Mas, mesmo que existissem, podiam não ser chamativos para as aves. Como já vimos, as plantas que se reproduzem através das flores desenvolveram dezenas de expedientes para assegurar a sua disseminação. A cor dos frutos podia perfeitamente ser para as aves um expediente desnecessário, senão mesmo inútil. É que, neste caso, o que está em causa é disseminar sementes através das fezes. E as fezes das aves têm muito menos probabilidades de encontrar um bom nicho no solo do que as dos primatas. &nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Texto de<strong> Clara Pinto Correia.</strong></p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[ESPERMATOZÓIDES POR ENCOMENDA]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/espermatozoides-por-encomenda/</link>
         <description><![CDATA[
	

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tinham que ser os japoneses a chegar lá primeiro. Andava o Ocidente inteiro atrás disto há tanto tempo.

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aquilo de que o mundo tem falado nas últimas semanas sobre os espermatozóides fabricados em laboratório, e que foi publicado na Nature por Takuya Sato e colaboradores[1], descreve-se num único parágrafo e até parece que nos apanha completamente de...]]></description>
         <pubDate>Wed, 23 May 2012 23:38:00 +0200</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://cienciapatodos.webnode.pt/news/espermatozoides-por-encomenda/</guid>
         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img src="http://www.helplink.com.br/noticias/wp-content/uploads/2011/03/Esperma.jpg" /></p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tinham que ser os japoneses a chegar lá primeiro. Andava o Ocidente inteiro atrás disto há tanto tempo.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aquilo de que o mundo tem falado nas últimas semanas sobre os espermatozóides fabricados em laboratório, e que foi publicado na <em>Nature</em> por Takuya Sato e colaboradores[1], descreve-se num único parágrafo e até parece que nos apanha completamente de surpresa:</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; “A espermatogénese[2] é um dos processos de proliferação e diferenciação celulares sequenciais em todo o corpo mais longos do mundo animal, com a duração de mais de um mês para se passar das células estaminais espermatogoniais[3] à formação dos espermatozóides através da meiose[4]. Por isso mesmo, o processo completo nunca foi reproduzido <em>in vitro</em> nos mamíferos, nem em outras espécies, com a rara excepção de alguns tipos particulares de peixes. Neste artigo mostramos que tecidos neonatais de testículos de ratinho que só contêm células estaminais de espermatogónias primitivas podem produzir espermatídeos[5] e espermatozóides <em>in vitro</em>. Estes espermatídeos e espermatozóides deram origem a progenia saudável e competente do ponto de vista reprodutivo, obtida por microinseminação. Adicionalmente, os tecidos testiculares neonatais foram criopreservados, e, depois de descongelados, mostraram <em>in vitro</em> uma espermatogénese completa. O nosso método de cultura de órgãos poderá ser aplicado a uma grande variedade de espécies de mamíferos, que servirão como plataforma para futura aplicação clínica bem como para a nossa compreensão da mecânica da espermatogénese.”</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto, tudo baralhado e voltado a dar, quer dizer que os japoneses conseguiram produzir em laboratório espermatozóides perfeitamente funcionais, que deram origem a ratinhos igualmente funcionais, e, mais ainda, saudavelmente férteis. E sim, é verdade que há muitos mistérios da biologia da reprodução que poderão ser desvendados de posse destas técnicas. Mas o que é que tudo isto pode significar para as pessoas? Devemos estar excitados? Ou alarmados? Ou indiferentes?</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Antes de mais nada, devemos esclarecer que os japoneses estão a ser um bocadinho arrogantes com este “nunca antes se fez nada no mamífero”. Na realidade, por acaso até já se tinha feito muita coisa. Tudo o que tornou possível chegarmos aqui. Eles, pelos vistos, apenas desenvolveram um método de cultura de órgãos melhor do que tudo o que existia antes. O que é importante, claro, mas é uma ínfima parte.</p>
<p>
	Senão, vejamos. &nbsp;</p>
<p>
	Há dois anos atrás, as secções de saúde e medicina dos jornais e revistas do mundo inteiro informaram-nos de que uma equipa da Newcastle University, no Reino Unido, tinha conseguido criar espermatozóides <em>in vitro</em> a partir de células estaminais. A sério. Tinham separado células masculinas com um laser, tinham-nas posto em cultura com os ingredientes adequados para induzir a formação de um espermatozóide, tinham visto começar a formar-se a cabeça, depois o rudimento da cauda. Eh pá. Que frisson. É que um espermatozóide, tal como um ovo, não é uma célula como os outros milhares de variações que temos no nosso corpo. Por alguma razão estes dois parceiros têm o nome específico de <em>células sexuais</em>, enquanto as outras todas são <em>células somáticas</em>. É que são duas células muito especiais, uma específica dos machos e outra característica das fêmeas: têm por função fundirem-se uma com a outra, por forma a dar origem a um novo organismo com uma nova informação genética saída da mistura aleatória das duas percursoras, absolutamente única e irrepetível. Já se sabia que as células estaminais eram capazes de se diferenciarem enquanto diversos tipos de células somáticas. Mas diferenciarem-se enquanto uma célula sexual tão especializada como um espermatozóide… bem, isso é mesmo outra conversa.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na altura, fez-se notar que os espermatozóides desenvolvidos <em>in vitro</em> não eram completamente iguais aos que se formam espontaneamente nos testículos. Tinham formas extravagantes, e moviam-se em ondulações caprichosas. Mas possuíam quatro características preciosas, daquelas que só uma célula sexual masculina pode e sabe ter. Em primeiro lugar, só possuíam metade dos cromossomas característicos dos animais da sua espécie[6] – a outra metade vem do ovo, e repõe a combinação correcta[7]; só mesmo as células sexuais é que conseguem fazer isto, devido a um processo de divisão celular especialíssimo, que se chama <em>meiose</em> em vez de <em>mitose</em>.&nbsp; Segundo, tinham uma cabeça e uma cauda, imprescindíveis para o seu formato aerodinâmico extremamente competitivo. Terceiro, continham proteínas que são essenciais para a activação do ovo durante a fertilização[8]. E, last but not least, nadavam: avançavam a bater a cauda, naquele movimento característico do espermatozóide que procura o ovo. Nada mau. Mas é que nada mau, mesmo.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As leis internacionais proíbem a utilização destes espermatozóides de laboratório para fertilização de ovos humanos, mas havia imensa coisa para aprender com eles: o processo de maturação de um espermatozóide no testículo é complexo, e, a bem dizer, inacessível. É preciso esperar quinze ou dezasseis anos até se formarem as primeiras espermatogónias, as células percursoras dos espermatozoides maduros que fertilizam o ovo. Com este sistema, podíamos assistir em directo e ao vivo ao desenvolvimento integral de um espermatozoide, uma célula extraordinariamente complexa, em não mais que três meses. Bem. Claro que houve polémica. Mas considerem-se só as possibilidades. Falou-se logo de cenários estimulantes, tais como utilizar células da pele de homens com cancro que a quimioterapia tornou estéreis para produzir espermatozóides em laboratório, inseminar com eles os ovos da companheira num processo rotineiro de fertilização <em>in vitro</em>, e assim permitir que estes pacientes se reproduzam à mesma. É só um exemplo. Falou-se de muito milagre da ciência que poderia tornar-se lugar-comum na medicina do futuro. O que interessa é que a biologia básica da reprodução avançou umas boas passadas com tudo isto.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pouco depois, a mesma equipa conseguiu pôr os ratinhos a reproduzirem-se <em>in vitro</em> com espermatozóides concebidos desta maneira. É verdade que estes ratinhos morreram pouco depois. Mas o importante, aqui, é que chegaram mesmo a nascer. Depois de consultar a equipa sobre o significado profundo de tudo isto, a Comunicação Social acrescentou logo que, dentro de um máximo de dez anos, a mesma proeza poderia estender-se aos humanos, saltando assim por cima de todos os problemas dos homens estéreis – os ovos das suas mulheres seriam fertilizados com espermatozóides derivados das suas próprias células estaminais, e olhem. Os puristas que protestem. Nada pára a grande roda.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Melhor ainda, teoricamente não haveria qualquer problema em produzir espermatozóides derivados de células estaminais femininas – em última análise, tudo depende, apenas, dos estímulos e mensagens que estas células vão recebendo ao longo da sua maturação, e não há nenhum deles que não possa ser fornecido <em>in vitro</em>. Isto quer dizer que as mulheres que não gostam da companhia dos homens poderiam finalmente ter os seus filhos verdadeiramente descansadas, sem uma única interferência masculina ao longo de todo o processo. Enfim, vá. Isto é um bocado indigesto, mas é verdade. Depois de tudo bem considerado, não haveria absolutamente nenhuma razão de ordem estritamente técnica para esses espermatozóides não serem, até, fabricados a partir de células estaminais da própria mãe. Sim, é isso que estão a pensar. A senhora engravidava de si própria.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Claro que tudo isto é mais que proibido. O Human Fertilisasation and Embryology Act de 2008, que ainda ninguém revogou, proíbe a criação artificial de ovos e espermatozoides para tratamentos de infertilidade. Mas, como soe dizer-se, the heat is on. No Reino Unido, onde se deram há dois anos estes avanços impressionantes, um em cada sete casais tem problemas de reprodução. Isto são cerca de 3.5 milhões de pessoas. E. destas, um terço não tem filhos por problemas associados aos espermatozóides. E, reparem: é sempre possível argumentar que estas células curiosas derivadas das células estaminais não são verdadeiros espermatozóides… e portanto… se fôssemos usá-los… no que toca a infringir a lei… estão a ver?</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devo dizer que, para efeitos de investigação de biologia básica, acho tudo isto absolutamente fascinante. Mas há sempre o outro lado das coisas. No que toca a usar estes métodos para efeitos de reprodução, achei muita graça ao que disse, na altura, a senhora que dirigia o Comment on Reproductive Ethics na Grã Bretanha, uma tal Josephine Quintavalle. “Isto é o ser humano no seu mais maluco”, afirmou ela sem punhos de renda. “A mim parece-me que, a partir de um dado ponto, as pessoas têm que parar de brincar aos médicos e aceitar a infertilidade. &nbsp;A ciência deve ser totalmente ética e totalmente segura – e isto não é uma coisa nem outra”.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[1] O chefe do laboratório é Takehiko Ogawa.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[2] Processo de amadurecimento de célula percursora a espermatozóide pronto a entrar em acção.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[3] Células precursoras dos espermatozóides.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[4] Processo de divisão celular característico das células sexuais, destinado a reduzir para metade o número de cromossomas de cada célula resultante.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[5] Fase de maturação intermédia entre a espermatogónia e o espermatozóide.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[6] Esta experiência era com espermatozóides humanos, portanto estamos a falar de 23 cromossomas.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[7] No humano, todas as células somáticas têm 46 cromossomas.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	[8] Até que um espermatozóide se ligue à sua membrana externa, o ovo está parado a meio do processo de divisão meiótica, totalmente dormente, como a Bela Adormecida à espera do beijo do Príncipe.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Texto&nbsp;de<strong> Clara Pinto Correia</strong>.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Os cavalos que encolheram ou Os equívocos sobre a evolução biológica]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/os-cavalos-que-encolheram-ou-os-equivocos-sobre-a-evolu%c3%a7%c3%a3o-biologica/</link>
         <description><![CDATA[
	&nbsp;

	Acham que “A Seleção Natural faz com que os indivíduos se modifiquem para se adaptarem ao seu meio”?

	Numa primeira leitura, esta frase até pode parecer fazer sentido…Não é certo que nós vamos tentando adaptar-nos às circunstâncias cambiantes conforme necessário? Sim. Mas, por mais que esta visão algo antropocêntrica nos agrade, ela não é a evolução por seleção natural.

	Esta é uma visão que vem ainda da teoria de evolução proposta pelo naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck,...]]></description>
         <pubDate>Mon, 23 Apr 2012 00:26:00 +0200</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://cienciapatodos.webnode.pt/news/os-cavalos-que-encolheram-ou-os-equivocos-sobre-a-evolu%c3%a7%c3%a3o-biologica/</guid>
         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Acham que <em>“A Seleção Natural faz com que os indivíduos se modifiquem para se adaptarem ao seu meio”?</em></p>
<p>
	Numa primeira leitura, esta frase até pode parecer fazer sentido…Não é certo que nós vamos tentando adaptar-nos às circunstâncias cambiantes conforme necessário? Sim. Mas, por mais que esta visão algo antropocêntrica nos agrade, ela não é a evolução por seleção natural.</p>
<p>
	Esta é uma visão que vem ainda da teoria de evolução proposta pelo naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck, que implicava a hereditariedade de características adquiridas. O que quer isto dizer? Bem, quer dizer que os seres vivos, ao tentarem adaptar-se ao seu meio ambiente, sofriam alterações anatómicas, por exemplo, e que essas alterações (ou novas características) eram passadas às sua descendência. Esta explicação há muito foi abandonada pelos biólogos evolutivos e só ocorre em casos muito raros (por exemplo, quando a radiação afeta as células das linhas germinais, os gâmetas, causando mutações).</p>
<p>
	Como funciona então a Seleção Natural, o mecanismo proposto pelo grande naturalista inglês Charles Darwin e que é hoje aceite como um dos processos responsáveis pela evolução biológica?<br />
	Sejamos um pouco antropocêntricos, só por um momento, e pensemos na nossa espécie, <em>Homo sapiens</em>. São todos os indivíduos da nossa espécie iguais? Não: há pessoas de diferente altura, com diferente cor de cabelo, de olhos, de pele, etc. Estas diferenças que nos parecem tão evidentes na nossa espécie existem em todos os seres vivos! Desde a mais diminuta bactéria até ao gigante elefante africano. E, pequenas diferenças na anatomia ou no comportamento levam a que diferentes indivíduos tenham diferente capacidade para sobreviver e se reproduzir. Num determinado momento e num determinado local, certos indivíduos têm uma pequena vantagem de sobrevivência, reproduzem-se mais facilmente e deixam mais descendentes. Os seus descendentes vão naturalmente herdar as características dos progenitores e, deste modo, aumentar a frequência dessas características na população. Ao longo do tempo, temos a “ilusão” de que a espécie se foi modificando. Na verdade, assim nascem novas espécies! Mas não é pela transformação individual, mas sim pela sobrevivência diferencial de indivíduos com certas características que lhes trazem vantagens.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<a href="http://astropt.org/blog/wp-content/uploads/2012/02/Equus-Sifrhippus_Danielle-Byerley_Florida-Museum-Natural-History.jpg"><img alt="" class="size-large wp-image-72358" height="365" src="http://astropt.org/blog/wp-content/uploads/2012/02/Equus-Sifrhippus_Danielle-Byerley_Florida-Museum-Natural-History-1024x634.jpg" style="width: 443px; height: 231px;" width="590" /></a></p>
<p align="center">
	Equus vs. Sifrhippus, de Danielle Byerley (Florida Museum of Natural History).</p>
<p align="center">
	A foto pode ser algo enganadora porque dá a ideia de que os cavalos atuais se transformaram nessa espécie anã, o que não é certo.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	E que tem isto a ver com os cavalos que “encolheram”?</p>
<p>
	Pois esse é um exemplo recente de como uma interessante notícia acerca da mudança observada numa espécie devida a alterações climáticas (semelhantes às que tudo indica estarem a ocorrer atualmente) foi algo erroneamente transmitida pela comunicação social e blogosfera em geral.<br />
	Há exceções, claro. E aqui - <a href="http://www.nsf.gov/news/news_summ.jsp?cntn_id=123252&amp;WT.mc_id=USNSF_51&amp;WT.mc_ev=click">http://www.nsf.gov/news/news_summ.jsp?cntn_id=123252&amp;WT.mc_id=USNSF_51&amp;WT.mc_ev=click</a>&nbsp;-&nbsp;podem ler, em inglês, uma boa descrição do que é que os cientistas descobriram.</p>
<p>
	Leu-se então nos últimos dias, no jornal Público, por exemplo, a notícia de que os cavalos teriam diminuído de tamanho devido às alterações nas condições ambientais de há 56 milhões de anos atrás, nomeadamente o aumento da temperatura que se verificou no período do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno.</p>
<p>
	Primeiro, há que perceber que esses cavalos nem sequer eram do mesmo género que existe atualmente, o género <em>Equus</em>, mas sim de um outro género primitivo chamado <em>Sifrhippus</em> (sim, a notícia do Público não tem o género bem escrito!). Os primeiros fósseis destes pequenos cavalos indicam que pesavam cerca de 6 kg. No entanto, verificou-se que, com o passar do tempo e o aumento da temperatura do planeta, os fósseis encontrados são de animais cada vez mais pequenos, até atingirem cerca de 4 kg (uma redução de 30%). Com a diminuição da temperatura, voltam depois a aumentar de tamanho para cerca de 7 kg (em média). Isto ocorreu ao longo de quase 200 mil anos.</p>
<p>
	Neste vídeo, podem ver um resumo dos resultados e como foram obtidos (link para o vídeo:<a href="http://www.nsf.gov/news/news_images.jsp?cntn_id=123252&amp;org=NSF">http://www.nsf.gov/news/news_images.jsp?cntn_id=123252&amp;org=NSF</a>).</p>
<p>
	E como se explica isto corretamente, dentro da Teoria da Evolução?</p>
<p>
	Na população inicial de cavalos <em>Sifrhippus</em>, havia indivíduos de diferentes tamanhos, mas com uma média de 6Kg. Com o aumento gradual da temperatura, os cavalos que eram ligeiramente mais pequenos tinham algumas vantagens de sobrevivência (se calhar, por exemplo, porque comiam menos vegetação ou eram menos propensos a doenças – especulação minha!). Sobreviviam portanto durante mais tempo, reproduziam-se melhor e tinham mais descendentes. Esses descendentes herdavam as características dos progenitores e eram, portanto, também pequenos. Ao longo de milhares de anos, o resultado que hoje observamos é que o tamanho médio da espécie diminuiu. Não porque os indivíduos diminuíram de tamanho, mas porque a proporção de indivíduos de tamanho mais pequeno na população foi aumentando significativamente, mudando o tamanho médio observado. Com as mudanças ambientais posteriores em sentido contrário, o tamanho voltou a aumentar.</p>
<p>
	Mas não foram os indivíduos acalorados que encolheram!</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<u>NOTA</u>: Para melhor perceber a evolução biológica, podem recorrer a este site de referência: <a href="http://evolution.berkeley.edu/evolibrary/home.php">http://evolution.berkeley.edu/evolibrary/home.php</a></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Diana Barbosa&nbsp;</strong>(texto publicado no blog <em>AstroPt</em>, a&nbsp;26 de Fevereiro de 2012)</p>
<p>
	Versão original em: <a href="http://astropt.org/blog/2012/02/26/os-cavalos-que-encolheram-ou-os-equivocos-sobre-a-evolucao-biologica/">http://astropt.org/blog/2012/02/26/os-cavalos-que-encolheram-ou-os-equivocos-sobre-a-evolucao-biologica/</a></p>
<p>
	&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[As bactérias patogénicas também têm uma estratégia.]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/as%20bacterias%20patogenicas%20tambem%20t%c3%aam%20uma%20estrategia-/</link>
         <description><![CDATA[
	&nbsp;

	

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Mycobacterium tuberculosis&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Mycobacterium...]]></description>
         <pubDate>Wed, 04 Apr 2012 22:49:00 +0200</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://cienciapatodos.webnode.pt/news/as%20bacterias%20patogenicas%20tambem%20t%c3%aam%20uma%20estrategia-/</guid>
         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<img alt="" height="200" src="http://files.cienciapatodos.webnode.pt/200000044-0a5e40b573/FD.png" style="width: 163px; height: 177px;" width="200" /><img alt="" height="137" src="http://files.cienciapatodos.webnode.pt/200000045-6e7b06f750/FD2.png" style="width: 214px; height: 150px;" width="200" /></p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Mycobacterium tuberculosis&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; - Mycobacterium tuberculosis</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; microscopia electrónica</p>
<p style="text-align: center;">
	<img alt="" height="153" src="http://files.cienciapatodos.webnode.pt/200000046-5a8095b7a7/FD3.png" width="200" /></p>
<p style="text-align: center;">
	- Vibrio cholera -Cholera_bacteria</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Serão todas as bactérias patogénicas para as pessoas? Não! Apenas 0.002% das espécies bacterianas conhecidas causam doenças nos seres humanos. Existirá algo em comum nestas espécies que explique a sua patogenicidade?</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Serão todas as bactérias patogénicas para as pessoas? Não! No máximo haverá uma ou duas centenas de espécies bacterianas patogénicas para as pessoas, embora existam, no total, cerca de 10 milhões a 1000 milhões de espécies bacterianas (números difíceis de estimar). Quer isto dizer que, no máximo, apenas 0.002% das espécies bacterianas são patogénicas!</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vem isto a propósito de um trabalho que publicámos em Fevereiro deste ano na revista científica norte-americana <em>PLoS Pathogens</em>. Neste artigo, resultado de uma colaboração entre o nosso grupo de investigação no Centro de Biologia Ambiental – Universidade de Lisboa e Instituto Gulbenkian de Ciência com um grupo do Instituto Pasteur (em Paris, liderado pelo português Eduardo P. C. Rocha), apresentámos uma explicação para importantes aspectos da diversidade de comportamento no grupo das bactérias patogénicas.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quisemos compreender porque é que meia dúzia de células de certas espécies bacterianas são suficientes para infectar um ser humano, enquanto outras espécies necessitam de milhões ou mesmo milhares de milhões de células. Por exemplo, apenas 10 células são suficientes para que <em>Mycobacterium tuberculosis </em>cause tuberculose numa pessoa, enquanto 10000000 de bactérias da espécie <em>Vibrio cholerae</em> são necessárias para induzir sintomas de cólera. Além disso, porque é que algumas espécies de bactérias têm sistemas que lhes permite “conversarem” umas com as outras, isto é, actuar concertadamente em certas situações (por exemplo, produzir factores de patogenicidade quanto atingem um certo <em>quórum</em>), e outras não? E porque é que só algumas espécies têm mecanismos que lhes permite moverem-se? Finalmente, sabemos também que certas espécies de bactérias multiplicam-se muito mais depressa do que outras. Por exemplo, uma bactéria de <em>M. tuberculosis</em> demora 19 horas a multiplicar-se enquanto uma bactéria de <em>V. cholerae</em> demora cerca de 12 minutos, ou seja, <em>V. cholerae </em>é 95 vezes mais rápida a crescer do que <em>M. tuberculosis</em>. Que relação há entre todas estas variáveis?</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As respostas encontram-se nas defesas do nosso organismo, o sistema imunitário. Imaginemos que existem bactérias que não são afectadas pelas primeiras linhas de defesa. Estas podem infectar-nos mesmo sendo poucas, porque não são travadas de início. É o que sucede com <em>M. tuberculosis</em>. No caso de <em>V. cholerae</em>, as nossas defesas são eficazes a eliminar as bactérias, portanto estas têm de ser muitas para que algumas consigam ultrapassar as primeiras linhas de defesa. Mas não basta a quantidade para que possam prosseguir com a infecção: terão também de se reproduzir rapidamente. Além disso, se puderem fugir às defesas e espalhar-se pelo tecido que infectam, tanto melhor, daí serem móveis. São também estas bactérias, que infectam em grande número, que possuem sistemas de conversação, e tal acontece porque necessitam de agir em conjunto (para produzirem quantidades suficientes de toxinas, por exemplo). As bactérias que infectam em menor número fazem-no subtilmente: dirigindo o seu ataque directamente ao sistema imunitário – como nas guerras modernas em que se atacam apenas as pontes, o armamento do inimigo ou os aeroportos!</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Francisco Dionísio&nbsp;</strong>&amp;&nbsp; João A. Gama (texto publicado no âmbito do projeto: <em>Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva</em>, a&nbsp;12 de&nbsp;Março de 2012)</p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[O cinto de castidade das abelhas]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/o-cinto-de-castidade-das-abelhas/</link>
         <description><![CDATA[
	

	&nbsp;

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todos conhecemos as abelhas, estes pequenos insetos, importantíssimos para a nossa sobrevivência, já que são responsáveis pela polinização e consequente reprodução da maior parte das plantas das zonas temperadas, incluindo aquelas que nos servem de alimento.

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O que se calhar não sabe é que, durante o ato sexual, a abelha macho explode de prazer. Literalmente.

	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A abelha doméstica acasala durante o voo,...]]></description>
         <pubDate>Tue, 27 Mar 2012 22:41:00 +0200</pubDate>
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         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img alt="" height="313" src="http://files.cienciapatodos.webnode.pt/200000039-8cccb8dc6a/abelhas.jpg" style="width: 258px; height: 181px;" width="470" /></p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todos conhecemos as abelhas, estes pequenos insetos, importantíssimos para a nossa sobrevivência, já que são responsáveis pela polinização e consequente reprodução da maior parte das plantas das zonas temperadas, incluindo aquelas que nos servem de alimento.</strong></p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O que se calhar não sabe é que, durante o ato sexual, a abelha macho explode de prazer. Literalmente.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A abelha doméstica acasala durante o voo, já de si um hábito arriscado. Mas, para além disso, quando o macho atinge o clímax, os seus órgãos genitais são arrancados e ficam dentro da fêmea, numa tentativa desesperada de evitar que ela acasale com outros machos ou, pelo menos, para garantir que fertiliza uma maior percentagem dos seus óvulos. É portanto, uma espécie de cinto de castidade à moda dos insetos.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Explodir é um “pequeno” preço a pagar para não morrer virgem e poder passar os seus genes à descendência. É que chega a haver 25000 machos em volta de uma nova abelha rainha e ela só acasala cerca de 20 vezes durante os breves dias que antecedem a formação da nova colónia. A competição é intensa!</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Após esse período, a rainha apenas se dedicará à sua prole durante os restantes dois a sete anos de vida. Na Primavera, e com boas condições, ela poderá pôr até 2000 ovos por dia!</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<strong>Diana Barbosa </strong>(texto&nbsp; publicado no âmbito do projeto: <em>Ciência na Imprensa Regional&nbsp;- Ciência Viva</em>, a 21 de Fevereiro de 2012)</p>
]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Valerá a pena preservar o Teixo (Taxus baccata)?]]></title>
         <link>http://cienciapatodos.webnode.pt/news/valera-a-pena-preservar-o-teixo-taxus-baccata-1/</link>
         <description><![CDATA[&nbsp;

Arilo – fruto do Teixo e único constituinte que não é venenoso.
&nbsp;
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A palavra Teixoso, de Vila do Teixoso, deriva da palavra Teixo, árvore frondosa que existiu outrora numa das entradas principais desta vila. Este e outros topónimos, bem como nomes próprios como Teixeira, derivam da palavra primitiva Teixo.
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Teixo, nome comum em português, ou Taxus...]]></description>
         <pubDate>Tue, 27 Mar 2012 13:06:00 +0200</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://cienciapatodos.webnode.pt/news/valera-a-pena-preservar-o-teixo-taxus-baccata-1/</guid>
         <category><![CDATA[Textos de divulgação sobre Biologia]]></category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img alt="" height="153" src="http://files.cienciapatodos.webnode.pt/200000036-c5036c5fbb/Arilo_teixo.jpg" width="241"></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Arilo</strong> – fruto do Teixo e único constituinte que não é venenoso.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A palavra Teixoso, de Vila do Teixoso, deriva da palavra Teixo, árvore frondosa que existiu outrora numa das entradas principais desta vila. Este e outros topónimos, bem como nomes próprios como Teixeira, derivam da palavra primitiva Teixo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Teixo, nome comum em português, ou <em>Taxus baccata</em>, nome científico, tem uma longa tradição na Europa e uma triste história para nos contar.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta árvore conífera, que quer dizer que seus frutos apresentam uma forma similar a um cone, desde há milénios tem sido abatida do seu habitat, um pouco por toda a Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A sua bela e resistente madeira de qualidade e o facto de se apresentar como uma planta muito venenosa para o ser humano são algumas das razões que explicam o abate massivo desta espécie arbórea, desde tempos imemoriais.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Desde a antiguidade que o teixo é conhecido como sendo uma planta extremamente venenosa, devido à sua capacidade em produzir taxina (um potente alcalóide) que é capaz de causar nos animais graves distúrbios no sistema nervoso e cardiovascular, podendo levar à morte dos mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Teixo apresenta um crescimento muito lento, contudo é de uma durabilidade imensa podendo atingir os 5 mil anos de idade.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Principalmente por estes motivos é que actualmente em Portugal apenas encontramos Teixos muito raramente e de reduzido tamanho, ou seja arbustos, e como seria de esperar em sítios de difícil acesso ao ser humano. Ou, então, isoladamente em jardins e parques, onde felizmente se encontram alguns exemplares de maior porte e de belo efeito decorativo. Daqui, facilmente podemos constatar que o teixo é uma espécie fortemente ameaçada em Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Será que se esta espécie se extinguir, apesar de nos livrarmos do seu potente veneno, apenas perderemos a sua madeira de qualidade?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem descurar o seu poder medicinal, de que falarei seguidamente, o teixo tem um valor ornamental enorme, podendo ser encontrado em jardins e cemitérios. Em jardinagem os teixos suportam muito bem as podas, encaixando-se na perfeição à arte da topiária.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta espécie arbórea apresenta a curiosa particularidade de apenas uma parte da sua constituição não ser venenosa, o arilo (fruto de cor vermelha ou rosada muito viva), que deriva da maturação do ovário das árvores de teixo femininas. Pelo contrário, este é doce e viscoso servindo de alimento a aves frugíveras, como melros, pois são saborosos e nutritivos. Contudo as suas sementes são altamente tóxicas, não afectando porém os animais, pássaros e pequenos mamíferos, ao saírem incólumes de seus intestinos, que assim retribuem o favor ao providenciarem a sua dispersão para futuro crescimento de novos teixos. Isto se o <em>Homo sapiens</em> deixar, claro!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As contribuições desta planta para a medicina são notórias, podendo ser descobertas a qualquer momento outras, pois Ciência é isto mesmo. Nas últimas décadas foram descobertos novos e inusitados interesses ligados ao Teixo, especificamente a extracção da substância taxol, um diterpeno tricíclico, que se extrai da casca da espécie americana <em>Taxus brevifolia</em>, usado como princípio activo para combater certos tipos de cancro do ovário, do peito, do fígado e dos pulmões. Outras substâncias biologicamente activas do Teixo, também combatem certos tipos de vírus, bactérias e fungos, possuindo ainda efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e antiulcerogênicos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar das qualidades já mencionadas, as potencialidades do Teixo não se ficam por aqui, uma vez que uma grande variedade de aves procura as copas dos Teixos para nidificarem, pois estas são densas e oferecem segura protecção aos jovens pássaros. Para além disto, javalis já foram vistos a revolver o solo sob o copado dos Teixos maiores, o que permite juntamente com o coberto herbáceo a ajuda no desenvolvimento de carvalhos e outras espécies nesses locais.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Posto isto volto a questionar - Valerá a pena preservar o <em>Taxus baccata</em> (Teixo)? - deixando a resposta ao critério do leitor!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>João Pedro Cesariny Calafate </strong>(crónica publicada no Diário de Coimbra, no âmbito do projeto: <em>Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva</em>, a 14 e 21&nbsp;de Fevereiro de 2012)</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
      </item>
   </channel>
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